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Quem São os 'Big 4' do Glam Rock?
Quando o glam rock surgiu no início dos anos 70, ele não apenas mudou o som da música, mas transformou completamente a aparência do rock and roll.
Nos anos que antecederam a chegada do glam, havia uma certa uniformidade no rock. As bandas tinham um visual parecido, agiam de forma semelhante e soavam de um jeito previsível; o glam rock virou tudo isso de cabeça para baixo.
O novo subgênero era mais extravagante e teatral do que tudo o que veio antes. Figurinos coloridos, maquiagem brilhante, artistas sexualmente andróginos — o glam realmente desafiou as normas sociais da época.
"O glam realmente plantou sementes para uma nova identidade", explicou David Bowie certa vez. "Acho que muitos jovens precisavam disso — dessa sensação de reinvenção. Eles aprenderam que, por mais louco que pareça, existe um lugar para o que você quer fazer e para quem você quer ser."
O glam rock também se mostrou uma era extremamente influente para a evolução do rock. Ele impactou fortemente subgêneros que vieram depois, como o punk e o new wave, pavimentando o caminho para o sucesso futuro dessas vertentes. A seguir, identificamos os quatro grandes nomes do glam rock, analisando por que cada um deles foi vital para o sucesso do gênero. Spoiler: já mencionamos o primeiro artista da lista.
David Bowie
David Bowie não inventou o glam rock, mas certamente o aperfeiçoou. Embora alguns de seus trabalhos iniciais já sugerissem elementos do glam, foi só com o revolucionário álbum de 1972, The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, que ele realmente fez a transformação. Misturando art rock e música pop com influências teatrais e temas de ficção científica, Bowie criou ousadamente um novo universo. Sua persona Ziggy Stardust veio acompanhada de figurinos coloridos, maquiagem marcante e shows ao vivo fabulosos, todos elementos fundamentais para o movimento glam.
Claro, nada disso teria importância sem a música. The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars está repleto de faixas incríveis, incluindo clássicos como “Starman” e “Suffragette City”. Foi o álbum que levou o glam rock ao grande público, tornando-o um gênero mainstream mundialmente.
Nessa época, Bowie abraçou uma identidade andrógina. O artista rompeu barreiras de arte e gênero, consolidando-se como uma força criativa destemida. Seu período glam continuou com Aladdin Sane (1973) e Diamond Dogs (1974), outros dois de seus álbuns mais celebrados. Mais do que um músico, Bowie foi um ícone do rock e o principal rosto do movimento glam.
T. Rex
Embora Bowie tenha sido a maior estrela do gênero, não foi ele o primeiro astro do glam rock. Essa honra geralmente é atribuída a Marc Bolan, o carismático líder do pioneiro grupo T. Rex.
Após uma fase inicial voltada ao folk rock, Bolan e sua banda desenvolveram um estilo que incorporava elementos do rock psicodélico e da música pop. Com ritmos marcantes, riffs poderosos e melodias incrivelmente cativantes, o T. Rex ajudou a definir o som do glam. O álbum Electric Warrior (1971) é considerado o marco inicial do gênero, trazendo faixas envolventes como o hit “Get It On”.
O estilo pessoal de Bolan também foi fundamental para o crescimento do glam rock. De seu senso de moda ousado à maquiagem brilhante, o cantor incorporava todo o fascínio do gênero. Embora Bolan e Bowie fossem amigos próximos, também mantinham uma rivalidade acirrada (a música “Lady Stardust”, da fase Ziggy de Bowie, é amplamente considerada uma referência a Bolan). Ainda assim, foi Bolan quem inicialmente se tornou o rosto do glam rock, especialmente no Reino Unido. Sem sua inspiração, talvez Bowie nunca tivesse dado o salto para Ziggy Stardust.
New York Dolls
Enquanto boa parte do movimento glam vinha do Reino Unido, os New York Dolls lideraram a cena nos Estados Unidos. Com um som cru, mais próximo do punk do que de seus colegas ingleses, os Dolls apresentaram uma versão distinta do glam, misturando teatralidade com influências do blues rock clássico.
O visual extravagante era parte essencial do apelo do grupo: saltos altos, cabelos armados, maquiagem vibrante e roupas que desafiavam os padrões de gênero faziam parte do figurino. Não era incomum ver o vocalista David Johansen usando spandex, meias-calças ou lingerie no palco.
Os New York Dolls chocaram a sociedade da época — eram ousados, provocativos e cheios de carisma. O álbum autointitulado de 1973 permanece como um lançamento extremamente influente, impactando tanto o glam quanto o punk.
Roxy Music
O Roxy Music ofereceu uma versão mais intelectual do glam. Os elementos-chave do movimento estavam presentes — moda ousada, personalidades marcantes, shows teatrais e um toque de estranheza. Mas o grupo acrescentou uma sofisticação e um estilo art rock que os diferenciava de tudo o que havia na época.
Liderado por Bryan Ferry — um ex-professor de arte que se tornou músico e tinha uma imaginação aguçada —, o Roxy Music foi ousadamente experimental em tudo, desde as roupas até a instrumentação complexa das músicas. O álbum de estreia autointitulado, lançado em 1972, misturava eletrônica futurista com influências do rock clássico.
O disco seguinte, For Your Pleasure, foi ainda mais longe, combinando faixas animadas com peças atmosféricas e sombrias. O Roxy Music mostrou que o glam podia ser intelectualmente desafiador e empolgante ao mesmo tempo. Brian Eno, tecladista e responsável pelos sintetizadores, ficou conhecido por suas ideias altamente experimentais, ajudando a moldar o Roxy Music como uma das bandas mais inovadoras da época. Eno saiu após o segundo álbum, mas o legado do grupo já estava consolidado.
