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5 Razões Pelas Quais Luther Vandross Merece Estar no Hall da Fama do Rock

5 Razões Pelas Quais Luther Vandross Merece Estar no Hall da Fama do Rock

Luther Vandross foi muitas coisas. Um vocalista expressivo e tecnicamente brilhante, ele conquistou oito prêmios Grammy, incluindo o de canção do ano, e chegou a emplacar impressionantes 11 álbuns consecutivos certificados como platina pela RIAA. Foi eleito um dos maiores cantores da música pela Rolling Stone. E, curiosamente, foi uma das primeiras estrelas do programa Vila Sésamo.

Mas será que ele era um verdadeiro rockeiro? Essa é a pergunta feita por alguns críticos após sua indicação ao Rock & Roll Hall of Fame em 2026. Seu colaborador de longa data, David Bowie, certamente achava que sim: "Que sopro de ar fresco", disse Bowie no documentário Luther: Never Too Much. "Ele tinha uma voz fantástica."

Vandross também trabalhou com Todd Rundgren, Ringo Starr e Paul Simon. Quando o American Music Awards organizou uma homenagem a uma lenda dos Beatles, foi Luther Vandross quem chamaram.

É verdade que Vandross é mais conhecido como cantor de R&B – mas isso não o desqualifica do Hall da Fama do Rock. Na verdade, os indicados nunca foram limitados apenas a guitarristas do rock. A primeira turma incluía Sam Cooke.

A segunda turma trouxe Marvin Gaye, Smokey Robinson, B.B. King, The Coasters e Aretha Franklin – esta última, inclusive, teve uma importante interseção de carreira com Vandross. O Hall da Fama também recebeu The Supremes e The Drifters em sua terceira turma. Posteriormente, inúmeros artistas de R&B foram incluídos, e mais recentemente, nomes do hip-hop e country também passaram a fazer parte.

Desde o início, o Rock & Roll Hall of Fame manteve uma ideia maior: o rock foi influenciado e, por sua vez, transmitiu seus valores centrais para músicas que podiam soar e parecer completamente diferentes. Luther Vandross personifica esse conceito.

Ouça Luther Vandross em 'Young Americans', de David Bowie

Vandross começou a trabalhar com Bowie em meados dos anos 1970. Ele foi responsável pelos arranjos vocais do hit que dá nome ao álbum Young Americans, além de liderar o coro funk da faixa. O empresário do espólio de Vandross, David Gottlieb, disse à Billboard que é "muito fácil fazer a conexão de Luther com o rock and roll. 'Young Americans' não existiria sem Luther na sala. A música foi o [segundo] Top 40 de Bowie, e a voz de Luther está presente em toda a faixa e em sua estrutura".

Quando Vandross chegou ao Sigma Sound, na Filadélfia, Bowie ainda lutava para finalizar a música. "'Young Americans' tinha um diálogo forte e longo, mas não tinha um refrão marcante", contou o produtor Tony Visconti à Mojo. "Então, em um momento, enquanto Luther liderava os vocais de apoio, ele pegou as palavras 'Young Americans' e criou o gancho musical perfeito: 'Young American, young American, she wants the young American.'"

Foi uma entrada notável no mundo do rock para alguém que, até então, era conhecido apenas por vocais de apoio no álbum de Roberta Flack & Donny Hathaway, de 1972. "David Bowie já era David Bowie naquela época", lembrou Vandross. "Muitos caras que já são estrelas não aceitam sugestões, mas a mente de David sempre esteve aberta. Não é à toa que ele teve uma carreira tão incrível. Ele não tem medo de nada."

Bowie também deu a Vandross um conselho importante: era hora de seguir carreira solo. "Você está tendo a chance de afiar suas ferramentas", lembrou Vandross sobre o que ouviu de Bowie. "Você está tendo a experiência de uma vida antes do que eu sei que será sua carreira."

O caminho ainda seria longo, mas Vandross acabou realizando a previsão de uma lenda do rock. Aqui estão cinco razões pelas quais Luther Vandross merece estar no Rock & Roll Hall of Fame:

1. Ascensão meteórica após anos de trabalho duro

Vandross pareceu surgir já pronto para o sucesso, alcançando o topo das paradas em 1981 com seu álbum e single de estreia. Mas, como tantas histórias do Hall da Fama, Never Too Much e sua faixa-título vieram após anos de batalhas e experiências. Na verdade, Vandross teve o trabalho pouco glamouroso de cantar jingles comerciais no final dos anos 1970 para marcas como as Forças Armadas dos EUA, Juicy Fruit e Gino's Pizza, entre outras.

Sua música "Everybody Rejoice/A Brand New Day" também foi usada de forma marcante em comerciais de TV da Kodak. "Acho que não conseguiria lembrar de todos, mesmo se tentasse", disse Vandross em Luther: The Life and Longing of Luther Vandross. Ele também recordou trabalhos para "Kentucky Fried Chicken, Miller Beer [e] aquele comercial da AT&T 'Reach Out and Touch Someone'".

Vandross economizou o dinheiro desses trabalhos anônimos para pagar o tempo de estúdio e finalizar seu primeiro álbum. Com um orçamento apertado, ele mesmo produziu as sessões.

2. Parcerias marcantes com ícones do rock

O trabalho com David Bowie foi além da faixa-título de Young Americans. A música de Vandross "Funky Music (Is a Part of Me)" serviu de base para "Fascination", presente no mesmo álbum de 1975. Bowie acrescentou novas letras, mas manteve o restante praticamente igual. "Ele disse: 'Você se importa?'", explicou Vandross. "E eu respondi: 'Você é David Bowie, eu moro com minha mãe. Pode fazer o que quiser.'"

Vandross também excursionou com Bowie antes de se reunir novamente para gravar o coro de "Underground" para o filme Labyrinth, de 1986. Ele também saiu em turnê com o Utopia de Todd Rundgren em 1975, participando do álbum Another Live. Essa fase foi relembrada no lançamento Todd Rundgren's Utopia: Live at Hammersmith Odeon '75, de 2012. Vandross ainda fez vocais de apoio em todo o álbum Ringo the 4th, de Ringo Starr, em 1977, e participou da faixa "New York Times" do LP Back to Earth, de Cat Stevens, em 1978.

Ele continuou fazendo novas conexões com o rock mesmo após o sucesso solo. Vandross cantou "Something" e "My Sweet Lord" em homenagem a George Harrison no American Music Awards de 2002. Elton John interpretou "Anyone Who Had a Heart", de Burt Bacharach, ao lado de Vandross no álbum So Amazing: An All-Star Tribute to Luther Vandross, de 2005. Já a coletânea The Essential Luther Vandross, de 2015, incluiu uma performance ao vivo de "Bridge Over Troubled Water", de Simon & Garfunkel, com Paul Simon.

3. Reconhecimento tardio, mas merecido

Ser incluído no Rock & Roll Hall of Fame seria um reconhecimento à altura que Luther Vandross sempre mereceu. Em vez disso, sua carreira só foi celebrada tardiamente. Ele já havia lançado seis álbuns – todos platina ou multi-platina – antes de finalmente ganhar um Grammy em 1991 por "Here and Now". Conquistou cinco hits no Top 10 da Hot 100 – mas o primeiro só veio dez anos após o início de sua carreira.

No total, Vandross foi indicado a impressionantes 33 prêmios Grammy, mas venceu apenas oito – sendo o último em 2004, com o prêmio de canção do ano por "Dance With My Father". Ele faleceu após sofrer um ataque cardíaco pouco mais de um ano depois. Vandross sentia que havia sido rotulado apenas como cantor negro de R&B, culpando figuras da indústria por suas dificuldades em alcançar o público geral.

"Eu só queria mais sucesso", disse ele à Associated Press. "Esta é a mesma voz que cantou para Pepsi-Cola, Coca-Cola, NBC 'proud as a peacock' – América, o mundo, já ouviu essa voz, então não há razão para que essa música não tenha ido mais longe. Quero dizer, até o número 1." Seu melhor desempenho na Hot 100 foi um segundo lugar com o dueto "Endless Love" com Mariah Carey. Enquanto isso, "Never Too Much" chegou apenas ao 33º lugar.

4. Colaborador de primeira linha para lendas do Hall da Fama

Se há algo a dizer sobre Luther Vandross, é que ele foi um colaborador requisitado por um número impressionante de integrantes do Rock & Roll Hall of Fame.

O single "Part-Time Lover", de Stevie Wonder, que liderou várias paradas em 1985, contou com vocais de apoio de Vandross. Wonder depois tocou gaita na faixa-título do álbum I Know, de Vandross, lançado em 1998. Um grupo de amigos, incluindo Wonder, ajudou Vandross a finalizar o clipe de "Dancing With My Father" enquanto ele se recuperava de um AVC devastador. Wonder foi incluído no Hall da Fama em 1989.

Vandross impulsionou a carreira de Aretha Franklin no início dos anos 1980, atuando como produtor principal e compositor em Jump to It, de 1982. O LP liderou a parada de R&B da Billboard, enquanto a faixa-título, coescrita por Vandross, tornou-se o primeiro Top 40 de Franklin desde 1976. ("Jump to It" também foi seu primeiro número 1 de R&B desde 1977.) Vandross produziu ainda o álbum seguinte de Franklin, Get It Right, de 1983, consolidando sua influência no renascimento da Rainha do Soul.

5. Um legado que transcende gêneros

Desde o início, o Hall da Fama do Rock & Roll reconheceu que o rock é um gênero moldado por influências diversas, e Luther Vandross é a personificação dessa ideia. Sua voz, talento e capacidade de transitar entre estilos e colaborar com artistas de diferentes gêneros mostram que sua inclusão no Hall da Fama não é apenas justa, mas necessária para refletir a verdadeira história da música popular.