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AREJAY HALE explica por que o HALESTORM não usa backing tracks ao vivo: 'Somos tão analfabetos tecnológicos que tudo daria errado'

AREJAY HALE explica por que o HALESTORM não usa backing tracks ao vivo: 'Somos tão analfabetos tecnológicos que tudo daria errado'

Em uma nova entrevista ao portal chileno PowerOfMetal.cl, o baterista do HALESTORM, Arejay Hale, comentou sobre bandas que dependem fortemente de faixas pré-gravadas durante suas apresentações ao vivo. Ele afirmou (conforme transcrição do BLABBERMOUTH.NET): "O desafio do HALESTORM é que não tocamos com metrônomo, não usamos backing tracks. É o mais cru possível. Então, para competir com outras bandas que têm esses recursos de segurança — com rigs de playback preenchendo o som — nós precisamos fazer tudo com nossas mãos e vozes, o que é mais desafiador. Exige muito mais treino, prática, escuta e, para mim, muito mais foco na minha execução, nas dinâmicas, na consistência, nos tempos, no canto — tudo ao mesmo tempo. Não tem nada de fácil nisso, mas eu adoro um bom desafio."

Arejay esclareceu em seguida: "Deixe-me dizer que não sou contra bandas que usam playback. Tenho outro projeto chamado KEMIKALFIRE, onde usamos playback. Acho que está tudo bem se você quiser fazer isso. Não sou anti-tracks. Se você quer expressar sua arte dessa forma, ótimo. Mas com o HALESTORM, somos tão analfabetos tecnológicos [risos] que tudo daria errado toda noite. Então, a melhor abordagem para nós é manter tudo o mais cru possível, o que é muito bom. É o mais eficaz para nós, pessoalmente. Isso torna tudo mais desafiador, mas também mais divertido."

Arejay já havia falado sobre a insistência do HALESTORM em se apresentar completamente ao vivo — sem o auxílio de backing tracks — durante uma entrevista em junho de 2024 ao May The Rock Be With You. Na ocasião, ele disse: "Sempre nos orgulhamos de ser uma das poucas bandas que não usa nenhum tipo de backtrack ou aprimoramento sonoro. Sempre achamos mais importante acertar a execução entre nós quatro e buscar o som certo com nosso próprio desempenho. Sempre foi uma batalha difícil, mas vale a pena, porque ao vivo nem tocamos com metrônomo, e sem metrônomo conseguimos ajustar os tempos e deixar as músicas respirarem, reagindo à energia do público. Mas isso também é mais difícil para mim, porque preciso focar muito para não tocar rápido ou devagar demais. Acho que isso sempre foi uma característica única nossa: não queremos usar tracks. E também não somos muito habilidosos com tecnologia, então sabemos que, se começarmos a rodar backtracks e coisas assim, com certeza algo vai dar errado. Por isso, sempre foi um dos nossos principais objetivos: ser o mais cru possível."

Em junho de 2020, a irmã de Arejay, Lzzy Hale, vocalista do HALESTORM, comentou no programa "Offstage With DWP" sobre a escolha da banda de tocar tudo ao vivo: "Fazemos isso mais por egoísmo, não necessariamente como uma declaração. Mas acabou virando uma declaração interessante. Temos muito orgulho disso. Mas, de novo, egoisticamente, acho que não me divertiria. Já participei de shows com outras pessoas — já fiz duetos e subi ao palco onde eles usam esses recursos e consigo ouvir nos meus in-ears — e às vezes é tipo: 'Refrão em um, dois, três, quatro…' Eu penso: 'Meu Deus! Isso me deixaria louca.' E também, prefiro que a gente soe imperfeito do que alguém perceber que estou dublando, ou que um shaker está fora do lugar — 'De onde está vindo esse tamborim?'"

"Não sou fã de descobrir que minhas bandas favoritas fazem isso", continuou ela. "E, como disse, não estou criticando quem faz — cada um com seu estilo. Mas para nós, isso não faz parte do nosso jeito. E não há nada mais divertido do que subir ao palco sabendo que somos responsáveis por tudo: se vamos estar afinados, se vamos errar, se algo vai sair do controle, vamos ter que colocar o trem de volta nos trilhos, mas isso porque estamos ouvindo uns aos outros."

"E também, se não estivéssemos realmente tocando, ficaríamos piores como músicos", acrescentou Lzzy. "Já fomos a shows em que o computador de alguém parou — as tracks sumiram — e aí eles não tocam mais. E pensamos: 'Não dá pra só ligar os instrumentos?' Sinceramente, acho que você se acostuma tanto a fazer tipo um videoclipe, só dublando, que talvez nem consiga mais tocar ao vivo. Então, nos tornamos músicos melhores porque nos desafiamos dessa forma."

O sexto álbum de estúdio do HALESTORM, "Everest", foi lançado em agosto passado pela Atlantic Records. O disco foi produzido por Dave Cobb, após três álbuns com Nick Raskulinecz. Liderado por Lzzy, com Arejay, o guitarrista Joe Hottinger e o baixista Josh Smith, o HALESTORM conquistou múltiplas certificações de platina e ouro pela RIAA, além de construir uma reputação como força ao vivo, liderando shows esgotados, encabeçando festivais ao redor do mundo e dividindo o palco com ícones como HEAVEN & HELL, Alice Cooper, Joan Jett e JUDAS PRIEST.

Além disso, Lzzy foi nomeada a primeira embaixadora feminina da Gibson e apresentou o programa "A Year In Music" no canal AXS TV. "Love Bites (So Do I)", do segundo álbum do HALESTORM, lançado em 2012, venceu o Grammy de "Melhor Performance de Hard Rock/Metal" naquele ano. Em 2019, o HALESTORM foi indicado ao Grammy de "Melhor Performance de Rock" pela música "Uncomfortable".