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As 5 Músicas Mais Subestimadas de Scott Weiland
Apenas um tolo ousaria discordar da afirmação de que Scott Weiland foi uma das maiores vozes de sua geração. Esse letrista e camaleão possuía uma magia rara, simplesmente indescritível.
Weiland tinha a habilidade de transmitir as várias nuances do desespero e da resiliência de uma forma que poucos conseguiram — como Layne Staley, do Alice in Chains, seu também falecido colaborador no Mad Season Mark Lanegan, e Phil Anselmo, especialmente no Down.
Por isso, convidamos você a celebrar o legado de Weiland com suas 5 músicas mais subestimadas.
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Como Weiland deixou para trás uma abundância de maravilhas sonoras, vamos citar algumas menções honrosas antes de mergulhar na nossa lista principal.
Por exemplo, “Gravedancer”, do supergrupo Velvet Revolver, que foi um sucesso estrondoso, ainda merece mais reconhecimento. Já “Spectacle”, também do VR, entrega uma descarga de adrenalina surreal, “For a Brother” (nascida das mortes trágicas de Michael Weiland e do irmão de Matt Sorum) cresce a cada audição, e “You Got No Right” nunca deixa de tocar o coração: “And if I fall apart on the outside...”
Desculpe, mas milhões de streams para “The Last Fight” (outra homenagem ao irmão de Weiland) ainda não são suficientes.
A sublime reinterpretação de Weiland para “Can’t Get It Out of My Head”, do Electric Light Orchestra, demonstra seu dom para covers, assim como suas versões solo de “Some Things Must Go This Way”, do Paloalto, e “Let Down”, do Radiohead, além da releitura de “Revolution”, dos Beatles, pelo STP.
Embora o álbum Core (1992) seja adorado, “Piece of Pie” talvez seja sua faixa mais subestimada — não deixe de ouvir as versões demo, arrepiantes e estranhamente reconfortantes, dos hits “Creep” e “Plush”. Da mesma forma, “Silvergun Superman” e “Still Remains”, ambas do segundo álbum canônico do STP, Purple (1994), mereciam ser ainda mais populares.
Do primeiro álbum solo de Weiland, 12 Bar Blues (1998), que inclui o single “Barbarella”, “Where’s the Man” sempre pareceu uma joia escondida digna de trilha sonora. Felizmente, em 2024, ela apareceu no filme Beetlejuice Beetlejuice.
Por fim, mesmo que o polêmico Limp Bizkit não seja sua praia, não deixe de conferir a participação de Weiland em “Hold On”.
Com as menções honrosas feitas, vamos ao que interessa — as cinco músicas mais subestimadas de Scott Weiland.
1. “Loving the Alien” (Velvet Revolver)
O álbum de estreia do Velvet Revolver, Contraband (2004), que conquistou disco duplo de platina, apresenta o que parece ser o som ideal do hard rock. Contraband gerou vários hits, como o vencedor do Grammy “Slither” e também “Fall to Pieces” — recomendamos fortemente a belíssima versão acústica bônus desta última!
No entanto, o grandioso encerramento do disco, “Loving the Alien”, não deveria ser ofuscado pelo que vem antes. Aqui, a arte de Weiland, combinada ao talento dos lendários membros do Guns N’ Roses — Slash, Duff McKagan e Matt Sorum — além do ex-Wasted Youth Dave Kushner, resulta em algo espetacular demais para ouvidos mortais absorverem.
O título “Loving the Alien” é uma clara homenagem a David Bowie, que Weiland sempre citou como inspiração, e, para muitos, Weiland é um gigante de proporções épicas, dignas de Bowie.
Sempre defendi que “Loving the Alien” é a música moderna mais bonita (ao lado de criações de Tor-Helge Skei, como “Last Resort”, do Manes), e o fato de ela não assombrar o cotidiano das pessoas (como “Interstate Love Song” pode surgir na academia ou na cafeteria) é simplesmente inexplicável.
2. “Pictures & Computers (I’m Not Superman)” (Scott Weiland)
“Pictures & Computers (I’m Not Superman)” faz parte do segundo álbum solo de Weiland, o parcialmente autobiográfico “Happy” in Galoshes (2008).
Com uma atmosfera vintage, estranhamente assombrada e desgastada (reforçada pelos teclados de Weiland e o trompa francês de Probyn Gregory, colaborador de Brian Wilson), essa obra pessoal pode não parecer tão impactante à primeira vista, mas se revela uma exploração existencial dolorosamente honesta: “Have I done the best that I can to generate / ’Cause I still hate / To revel around and terrorize or sympathize and populate / ’Cause I’m just every man who once was a stronger man…”
O peso dessa canção atordoa e esmaga ouvintes de consciência pesada, entregando uma energia completamente diferente de, por exemplo, “Superhuman”, do Velvet Revolver.
“Happy” in Galoshes simplesmente reúne composições brilhantes: o auge de carreira “Missing Cleveland”, a hipnotizante “Killing Me Sweetly”, a envolvente “Paralysis”, “Crash” (o single que deveria ter estourado), “Arch Angel”, entre outras.
3. “Seven Caged Tigers” (Stone Temple Pilots)
Este ano celebramos o 30º aniversário do terceiro álbum do Stone Temple Pilots, Tiny Music... Songs from the Vatican Gift Shop, que traz clássicos como “Trippin’ on a Hole in a Paper Heart” e “Big Bang Baby”.
Embora o encerramento do disco, “Seven Caged Tigers”, com seu marcante pandeiro, esteja entre as músicas favoritas do próprio Weiland e seja considerada um de seus melhores momentos, ainda não recebeu a devida atenção dos fãs. Essa oferta mística, misteriosa e meditativa é nada menos que uma obra-prima atemporal e sempre renovadora: “So, the answer gets harder, harder / And the truth’s getting farther and farther...”
De certa forma, “Seven Caged Tigers” parece uma companheira de “Adhesive” — separadas apenas pela agradabilíssima “Ride the Cliché” e pela instrumental “Daisy”.
Em sua autobiografia, Not Dead and Not for Sale (escrita em colaboração com David Ritz), Weiland descreveu “Adhesive” como “eu no meu momento mais depressivo”. Em ambas as composições, Weiland alquimizou suas lutas, transformando dor em ouro artístico.
4. “Wonderful” (Stone Temple Pilots)
“Wonderful”, a quinta faixa do imersivo Shangri-La Dee Da (2001), serve como um salto agridoce para o além: “As I’m fallin’ out / I wonder what I lost / Must be movin’ on...” Essa peça viciante envolve o ouvinte em um raro calor reconfortante, melhor que qualquer euforia artificial.
O som orgástico dessa obra deve muito ao produtor Brendan O’Brien (assim como outras faixas aqui), que repetidamente ajudou Weiland a alcançar seu melhor.
O álbum ao vivo The Family Values Tour 2001 (2002) traz uma gravação de Scott Weiland e Chester Bennington (antes do vocalista do Linkin Park substituir Weiland no STP) interpretando “Wonderful” juntos.
Retrospectivamente, pode ser considerado um dos momentos mais tristes da história do rock, dada sua alma, autenticidade e o amor de Bennington pelo STP como fã, aliado ao conhecimento do trágico destino de ambos os ícones.
5. “Glide” (Stone Temple Pilots)
Após a energia frenética de “Sex & Violence”, “Glide” permite ao público relaxar enquanto experimenta o álbum No. 4 (1999) — o disco que trouxe ao mundo triunfos como “Sour Girl” e “Atlanta”, que o STP chegou a chamar de provavelmente uma das músicas mais bonitas que já escreveram, em entrevista à WAAF 107.3, por exemplo.
Seria difícil argumentar a favor da existência de uma música que nos transporte em um voo musical mais agradável do que esta, embora linhas vocais suaves (assim como as agressivas, como em “Sex Type Thing”) fossem um dos muitos talentos de Weiland, presentes em inúmeras outras gravações.
A evocativa “Glide”, aberta a interpretações, proporciona um alívio celestial misturado a uma sensação de desespero concreto: “Just give me a half a chance / From throwing it all away...”
Crédito da galeria: Chad Childers, Loudwire
