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“É sobre serem eles mesmos – a obsessão os levou até aqui”: Por dentro do novo filme-concerto deslumbrante do twenty one pilots
Algo que o Tyler comenta no filme é sobre a equipe do twenty one pilots – o quanto todo mundo se importa e o quão importante cada um é. Isso tem sido uma parte realmente satisfatória para você, construir e reunir um verdadeiro time dos sonhos?
“Sim, o Tyler e o Josh operam muito com base na lealdade – qualquer um que quiser ficar, pode ficar. E eu acho que todos que provam ser dignos sempre entram na lista dos inegociáveis. Tivemos a mesma equipe central nos últimos 15 anos, e esse filme meio que enfatiza isso. Mas o maior ponto que eu quero que os criativos tirem disso é que não houve nada de especial que aconteceu para a banda no lado da produção. São dois caras que sabiam como fazer o próprio show. Nos primeiros dias, eles estavam muito preocupados que existia algum tipo de degrau que precisavam subir, ou que alguém precisava estender a mão e puxá-los para cima, ou que precisavam comprar algum tipo de software de backing track ou algum recurso de produção. Mas, na verdade, quando chegava a hora, toda vez que tentavam fazer algo que achavam ser mais ‘profissional’, dava errado. No fim das contas, o que importa é eles serem eles mesmos – essa é a parte mais importante de todo o processo. O jeito que eles fazem o show cresceu junto com eles e se tornou atemporal, e eu acho que isso é importante para os criativos enxergarem, porque sempre que queremos ser criativos em uma capacidade maior do que o estágio em que estamos naquele momento, pensamos que existe alguma fórmula ou algo que está nos faltando. Mas, na real, é a teimosia e a obsessão que fizeram eles chegarem onde estão.”
Você aplica essa mesma lógica a si mesmo? Você poderia facilmente gastar uma fortuna em câmeras e equipamentos sofisticados, mas no fundo o que importa é a sua visão…
“Existe esse ciclo vicioso que acontece em que você faz algo do qual se orgulha muito, e aí tenta descobrir como fazer ainda melhor, e compra equipamentos diferentes ou experimenta com iluminação e todas essas coisas. E então você se vê ficando confuso, e começa a perder aquela parte obsessiva que te fazia ser um bom criativo no começo. Um amigo de infância meu veio na minha casa recentemente e assistimos a um filme antigo que fizemos quando eu estava entrando na faculdade, em 2007. Sentamos lá e assistimos, e não era bom! Era uma câmera bem ruim que usamos, mas o que eu vi ali era só eu tentando descobrir como fazer, tentando coisas e fazendo o que eu realmente queria fazer naquela época. E eu nunca quero perder isso.
“Quando fiz minha primeira turnê com a banda, eu tinha uma camerazinha digital Canon com uma lente de 50 milímetros – era só isso que eu tinha, e fiz toda a turnê Regional At Best e a série de vídeos com ela. Sempre que você começa a adicionar equipamentos, mais equipe e mais possibilidades, começa a perder aquela conexão com o seu eu ignorante que só queria criar, que estava faminto para fazer alguma coisa. Você começa a ficar um pouco como todo mundo, tentando ser alguém que você não é. Essa é uma resposta longa, mas tenho pensado muito sobre isso, e não quero perder aquele cara que não sabia como fazer, mas sabia que precisava fazer.”
