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Green Carnation prontos para florescer de vez com trilogia prog

Green Carnation prontos para florescer de vez com trilogia prog

Quando se fala em metal progressivo com aquela atmosfera sombria, eloquente e rústica, poucas bandas fazem isso melhor do que a norueguesa Green Carnation. Desde o lançamento de 'Journey to the End of the Night' em 2000 e do marcante 'Light of Day, Day of Darkness' em 2001 até o aguardado 'A Dark Poem, Pt. I: The Shores of Melancholia' de 2025, o grupo vem mesclando composições e instrumentações ferozes e delicadas de forma sincera e dinâmica.

Essa essência permanece viva no próximo capítulo da saga, 'A Dark Poem, Part II: Sanguis'. Para celebrar esse lançamento e o legado do Green Carnation, conversamos com o vocalista Kjetil Nordhus e o letrista/multi-instrumentista Stein Roger Sordal sobre como os dois álbuns da série 'Dark Poem' se conectam, o que os fãs podem esperar do capítulo final da trilogia e por que a melancolia é um elemento tão crucial na música da banda.

Como os dois álbuns 'Dark Poem' se conectam temática e musicalmente?

Kjetil Nordhus: Quando compusemos as músicas e letras, não pensamos muito sobre o que iria para o álbum um, dois ou três. Não é como se fosse uma história que começa na primeira faixa do Parte I e termina na última do Parte III. Então, depois de percebermos que tínhamos material suficiente para três discos, começamos a compilar três álbuns diferentes a partir das músicas já compostas.

Você pode dizer que o Parte I é mais explosivo, cheio de energia, enquanto o Parte II é onde ousamos não ter tantas baterias e guitarras em certos momentos. Liricamente, o Parte II é mais introspectivo e pessoal, enquanto o Parte I aborda mais a sociedade e questões externas a nós mesmos.

Stein Roger Sordal: Todas as três coleções são sombrias. Elas tratam de coisas que me preocupam. Quero dizer, cheguei aos 50 anos, então vivi muita coisa e quis que as músicas fossem interessantes para os ouvintes, mas também servisse para eu liberar sentimentos que estavam acumulados dentro de mim. O segundo álbum é mais pessoal, pois falo sobre minha vida (seja infância, presente ou até o futuro). Acho que, se as músicas vêm de dentro e são honestas, as pessoas vão se identificar.

Por que a bela melancolia é uma marca tão forte do Green Carnation?

Nordhus: Tanto eu quanto o Stein entramos na banda com o 'Light of Day, Day of Darkness', que estabeleceu as bases do que o Green Carnation se tornou. É uma história trágica sobre perda e isso nos direcionou para um clima que se tornou natural para nós. Mesmo escrevendo uma nova trilogia agora, ainda não esgotamos nossos sentimentos sobre as coisas que nos preocupam. Esse tom é uma parte importante do Green Carnation e eu ficaria muito surpreso se, de repente, começássemos a fazer álbuns super felizes [risos]. Mas a melancolia sempre traz beleza e esperança; nunca é totalmente escura.

Sordal: Exato. Por exemplo, a faixa-título é sobre minha relação com meu pai e a raiva que senti até alguns anos atrás.

Comecei a pensar em como ele teve uma infância terrível e, claro, levei anos para entender que essas coisas acontecem por um motivo. Agora, é mais fácil para mim superar isso e compreender a juventude dele. Passei a sentir pena dele e começamos a nos reconciliar, mas infelizmente ele faleceu no último verão. Já a música “Loneliness Untold, Loneliness Unfold” do Parte II, que eu canto, fala sobre um amigo que tenho medo de perder.

Nordhus: O jeito como o Stein canta essa música realmente se destaca, assim como o arranjo mais minimalista. O curioso é que nos divertimos muito em turnê, o que talvez não se espere ao olhar apenas para nossas letras.

Como a dinâmica entre vocês dois mudou ao longo dos anos?

Nordhus: Aprendemos a trabalhar melhor juntos com o passar do tempo. No início dos anos 2000, fazíamos mais músicas individualmente do que em conjunto e nunca fomos uma banda de ensaiar e improvisar. Desde o retorno [com 'Leaves of Yesteryear' em 2020], o Stein e eu encontramos uma nova forma de colaboração, com papéis bem diferentes. Ele é o cara que toca todos os instrumentos e eu sou quem opina mais sobre as composições em si, como as partes se conectam e como algo pode ser aperfeiçoado.

Quando começamos a trabalhar na série 'Dark Poem' (por volta de 2018), aceitamos que fazer os três álbuns levaria muito tempo. Inclusive, lançamos um disco no meio do caminho ['Leaves of Yesteryear'] para nos dar tempo de finalizar a trilogia. Tem sido um processo inspirador.

O que esperar do terceiro capítulo da trilogia?

Nordhus: Teremos um show na Noruega em 12 de setembro, onde vamos tocar os três álbuns em uma única noite. Haverá uma orquestra e um coral no palco, e talvez também uma exposição de arte inspirada em 'Dark Poem' durante aquele fim de semana em nossa cidade natal, com curadoria de Niklas Sundin (ex-guitarrista do Dark Tranquility), que fez a arte dos álbuns.

Sordal: Isso é só uma pequena dica [risos]. Estamos muito animados!

Nordhus: É algo que nunca fizemos antes e, quando as pessoas ouvirem a trilogia completa de uma vez, vão entender o quadro maior. Não estamos facilitando para nós mesmos, mas será uma memória que ficará para sempre.

Sordal: Sim, e claro, há muitas horas de música que ficaram de fora dos álbuns, então esperamos poder usar parte disso no futuro. No momento, estamos muito orgulhosos do projeto.

Sobre o retorno da banda e o impacto em seus fãs

Como deveria! Vocês tiveram um dos melhores retornos dos últimos tempos, considerando que 'Leaves of Yesteryear' de 2020 chegou após um hiato de 15 anos.

Nordhus: Obrigado. Quando o 15º aniversário de 'Light of Day, Day of Darkness' chegou em 2016, achamos que era uma boa desculpa para tentar algo novamente. Não éramos inimigos antes; só não sabíamos o que fazer depois de 'The Acoustic Verses' em 2006. Havíamos lançado bons álbuns, mas sem o sucesso que esperávamos. Quando voltamos em 2016, curtimos a companhia um do outro e, fazendo shows, percebemos o quanto o Green Carnation significava para as pessoas.

Sordal: Exatamente. Temos fãs que cresceram conosco ao longo dos anos e tem sido maravilhoso ver isso acontecer.

Agradecemos ao Green Carnation pela entrevista. O novo álbum, 'A Dark Poem, Part II: Sanguis', será lançado em 3 de abril pela Season of Mist. Garanta sua cópia na pré-venda e siga a banda no Facebook, X, Instagram e Spotify.