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O Contrato que Mudou a História do Rock

O Contrato que Mudou a História do Rock

Quatro décadas atrás, uma banda assinou um contrato que mudaria para sempre a história do rock.

É curioso pensar que houve uma época em que gravadoras disputavam ferozmente para contratar artistas e realmente tinham orçamento para isso. Nos anos 1980, essa era a realidade do mercado musical.

Na metade dos anos 80, a indústria do rock já estava saturada de bandas de hair metal. Toda gravadora queria ter seu próprio Motley Crue ou Poison, e o estilo já havia atravessado o Atlântico, com bandas como Def Leppard e Whitesnake ganhando enorme popularidade.

Foi nesse cenário que uma nova banda começou a chamar atenção na Sunset Strip. Eles tinham o visual do hair metal, mas o som era muito mais cru e visceral, o que despertou o interesse imediato das gravadoras.

Essa banda era o Guns N' Roses — e, ao perceberem quantos executivos estavam de olho neles, transformaram a situação em um verdadeiro jogo.

Axl Rose, Slash, Duff McKagan, Izzy Stradlin e Steven Adler sabiam que tinham algo especial e estavam determinados a assinar apenas um contrato que lhes desse tudo o que queriam. Claro, o dinheiro era importante, mas o principal objetivo era o controle criativo — algo que muitas gravadoras prometiam, mas nem sempre cumpriam, especialmente se isso ameaçasse a exposição em rádio ou TV.

Enquanto esperavam pela oportunidade certa, os membros da banda aproveitaram os jantares luxuosos oferecidos pelos representantes das gravadoras.

“Fizemos eles nos levarem para jantar durante algumas semanas. Pedíamos toda a comida e bebida possível e então dizíamos: ‘Ok, agora podem falar’”, contou Stradlin no livro Watch You Bleed: The Saga of Guns N' Roses.

“Essa era meio que nossa estratégia: conseguir o máximo de almoços e jantares possível”, relembrou Vicky Hamilton, primeira empresária e agente de reservas do Guns, em entrevista exclusiva ao Loudwire. “Lembro da Susan [Collins, da Chrysalis Records] nos levando ao Ivy e a conta chegando a quase US$ 1.000.”

No fim, decidiram confiar seu futuro a Tom Zutaut e à Geffen Records, uma escolha que Hamilton afirma ter sido a mais acertada. Se tivessem optado por outra gravadora, o icônico Appetite for Destruction poderia ter soado bem diferente.