Já faz oito longos anos desde que o Corrosion of Conformity lançou um novo álbum de estúdio. Eles compensaram a longa espera entregando de verdade com Good God / Baad Man, que chegou nesta semana (3 de abril).
O novo LP (na verdade, um disco duplo) tem mais de uma hora de duração, uma experiência de audição que o produtor do álbum, Warren Riker, ficou chamando de Dark Side of the Doom enquanto eles o faziam. Você pode chamar do que quiser, mas o simples fato é que o C.O.C. fez seu melhor disco em muito tempo. É um álbum que pega tudo o que você já amou na discografia inteira do grupo criado na Carolina do Norte e condensa em uma experiência de audição magnífica.
"Esse disco é realmente uma grande carta de amor ao rock and roll do c---lho," diz o vocalista da banda, Pepper Keenan, à UCR. "É só toda a p---a que a gente curtia. Eu e o Woody bebendo cerveja, ouvindo discos e fazendo os nossos. Alguém disse que lembrava um [versão] heavy metal do Paul's Boutique [do Beastie Boys], eu aceito isso, cara."
Passamos mais de uma hora conversando com Keenan e também com o guitarrista e membro fundador Woody Weatherman. Você pode ouvir nossa conversa completa no UCR Podcast. Aqui estão cinco coisas que adoramos ouvir durante o papo, que você pode conferir abaixo.
Corrosion of Conformity Trilharam Seu Próprio Caminho
Enquanto há muitas bandas que desenvolvem uma certa fórmula e estilo, o C.O.C. seguiu um caminho diferente. Embora tenham um som próprio, uma coisa que você pode esperar de cada novo álbum é que será algo que você nunca ouviu antes. "[Isso] me deixa p---o da vida. Eu não conseguiria fazer isso — embora o AC/DC seja minha banda favorita do c---lho e eles sejam gênios nisso," diz Keenan. "Eu não consigo fazer isso, sabe?"
"O C.O.C., há muito tempo, quebrou esse molde. Nos libertamos quando lançamos o Deliverance [em 1994] e saiu 'Albatross'. A gente pegou um caminho totalmente diferente, e pra mim, isso foi mais punk rock do que qualquer coisa que já tínhamos feito," ele diz. "Então, uma vez que a gente quebrou esse lacre e as pessoas começaram a esperar essas coisas de nós, podíamos fazer o que quisesse, e ficou mais empolgante."
"Isso foi tudo planejado. Não queríamos ser rotulados fazendo [a mesma música repetidamente]. Tem muitas bandas ótimas por aí, sabe. Mas o Prong não vai fazer isso," ele acrescenta. "Eu amo o Tommy Victor e amo o que eles fazem. É f---ing fantástico. Mas a gente se preparou conscientemente pra isso. Às vezes a gente pode escrever uma música que vai numa direção Lynyrd Skynyrd, ou pode fazer um cover de Skynyrd, ou pode fazer um cover de FEAR — todas as coisas que a gente ama."
Eles Se Divertiram Fazendo 'Good God / Baad Man'
"Esse disco não foi difícil de fazer. Quero dizer, do ponto de vista de ficar encarando mentalmente e pensando, 'Cara, temos meses pela frente fazendo isso,'" conta Weatherman à UCR em uma entrevista separada. "Foi divertido, cada aspecto. Foram os diferentes estúdios por onde passamos, o material em que estávamos trabalhando e eu me diverti muito."
"Não teve realmente nenhuma parte ruim, além de só esperar. Já tínhamos terminado [há um tempo]. Terminamos antes de fazer a turnê [de 2025] com Judas Priest e Alice Cooper."
Eles Entraram de Cabeça no Universo Judas Priest
A já mencionada turnê com Judas Priest / Alice Cooper foi, claro, uma experiência dos sonhos. "Foi tão bom quanto poderia ser pra gente," confirma Keenan.
"Sabe, [somos] fãs enormes do Alice Cooper e do Judas Priest e tocamos com eles toda noite. Eles foram f---ing incríveis e nos trataram muito bem," ele diz. "Gosto de pensar que mandamos bem. O pessoal pareceu curtir e foi um grande momento pra gente poder tocar pra tanta gente. Tínhamos atitude suficiente pra subir num palco grande e abrir pra p---a do Judas Priest. Não é fácil de jeito nenhum, mas eles foram super legais."
Eles usaram o tempo livre na estrada de forma produtiva. "Eu, Woody e o resto dos caras [incluindo o baixista Bobby Landgraf e, na época, o baterista de turnê John Green] começamos a ouvir Judas Priest em ordem cronológica no ônibus da turnê toda noite e íamos anotando. No dia seguinte, eu ia perguntar umas coisas pra eles, sabe? Devíamos ter feito um documentário," acrescenta Keenan. "Eu poderia ter feito o melhor documentário do Judas Priest de todos os tempos, porque ouvimos todos os discos, toda p---a de noite na ordem."
"Eu ficava tipo, 'Caramba, esse disco saiu 11 meses antes do British Steel.' Eu ficava olhando as datas de lançamento e tal, anotando tudo como um maníaco," ele ri. "[O baixista do Priest] Ian Hill contava pra gente várias curiosidades sobre coisas malucas. Gravar no estúdio do John Lennon [e coisas assim]."
"Então a gente pôde trocar ideia com eles. Trocar ideia e conviver com eles nesse nível de admiração, [eu] tentando não ser um fanboy. Mas eu precisava de algumas respostas."
Como o Conceito de 'Good God / Baad Man' Se Desenvolveu
Os fãs vão perceber que a música em Good God / Baad Man muitas vezes flui de forma conectada, ligada tematicamente por um design sonoro criativo que, segundo Weatherman, teve grande participação de Riker. Como Keenan diz agora, a ideia de construir essa "carta de amor estranha a tudo do rock n' roll foi surgindo aos poucos.
No fim das contas, as músicas guiaram o caminho, mas a "carta de amor" também teve papel importante. "Usamos isso pra ter liberdade de ir em direções diferentes," ele compartilhou. "Cada álbum é seu próprio pequeno universo e tem sua identidade. Good God pende pro lado mais pesado/raivoso do espectro. Baad Man é mais no escopo do rock porrada. Conforme fomos avançando, ficou claro quais músicas iam pra qual disco."
"A gente amava tudo, tipo, discos do Pink Floyd, e pra mim, até discos do [Led] Zeppelin," acrescenta Weatherman. "Mas acho que isso só evoluiu mesmo quando o Keenan mergulhou pesado na parte lírica."
"A gente meio que já sabia que tinha algumas músicas e elas estavam na nossa cabeça, tipo, sabíamos a ordem das faixas antes de começar a montar de verdade," ele explica. "Mas tudo se encaixou mesmo quando o Keenan teve as ideias das letras na cabeça e começou a gravar os rascunhos. Aí pensamos, 'Ok, agora sabemos pra onde estamos indo com isso.'"
'Ele Está Lá' na Música
Good God / Baad Man é o primeiro álbum do Corrosion of Conformity desde que o baterista Reed Mullin faleceu em 2020. Como ambos nos contam, o espírito de Mullin pairava no ar enquanto trabalhavam no disco.
"Quero dizer, ele estava... ele está lá, sabe," diz Weatherman. "O lance do Mullin, a gente costumava chamar ele de Reed 'The Mule' Mullin. Ele era uma parte enorme do swing da banda, sabe?"
"A bateria dele é insubstituível, de verdade. Você não acha caras que fazem aquilo. Ele era um monstro na bateria. Agora estamos fazendo as coisas com outro monstro, que é o Stanton Moore [que tocou no novo álbum], monstro na bateria," continua Weatherman. "Ele tocava umas coisas e a gente ouvia e pensava, 'Cara, você tá pegando o swing disso.' E ele dizia, 'É, isso é meio que uma das minhas coisas também. Mas, sabe, o Mullin também tinha esse tipo de coisa. Então teve momentos em que a gente só estava lá fazendo e lembrando do Reed enquanto rolava."
"Foi algo grande. Reed era o nosso cara," acrescenta Keenan. "Ele era uma força motriz na banda, muito antes de eu entrar. Stanton não é bobo, sabe, ele queria honrar o Reed. E tem muitos momentos nesse disco em que eu pensava, isso soa como algo que o Reed faria. Uma música como 'Swallowing the Anchor', o jeito que ela começa. Reed fazia umas paradas assim. Ele era classe. Reed tinha um senso pop muito bom, se quisesse, [com a bateria dele]. Ele adorava tocar essas coisas mais apertadas tanto quanto enlouquecer. Então, sim, foi uma parte enorme e o Stanton mandou muito bem nisso, com certeza,"