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Resenha de Álbum: YUNGBLUD – Idols II – Dom Harrison guarda o melhor para o final na segunda parte de Idols
“Pictures of idols rise up and fall,” carrega um profundo significado como a primeira frase da segunda parte do álbum duplo Idols, do YUNGBLUD. Ao longo desta era dramática e monocromática, Dom Harrison tem buscado o lugar que ocupa no panteão da fama. Ele deu passos gigantescos – protagonizando um documentário, fazendo música com o Aerosmith, confrontando as ideias preconcebidas de seus críticos com a grandiosa interpretação de Changes, do Black Sabbath, no extravagante show Back To The Beginning do verão passado (que lhe rendeu um GRAMMY, nada menos). Para combinar com isso, o primeiro capítulo ardia com uma ambição ainda maior, mas sua sequência soa mais completa, não apenas um esboço da sensação épica que ele deseja criar, mas o produto final tridimensional.
Este novo lançamento é elegante, terno, o tipo de disco que pede para ser apreciado em vinil em vez de streaming, mas também possui uma intimidade maior. Os versos em ritmo de valsa da faixa de abertura, I Need You (To Make The World Seem Fine) – uma canção profundamente inspirada em Shine On You Crazy Diamond, do Pink Floyd – são repletos de dedilhados acústicos e trinados orquestrais, mas alcançam um ar cinematográfico de forma discreta. Mais tarde, Time dispensa qualquer floreio e coloca Dom sozinho com seu violão, preservando as imperfeições de sua voz, dando a impressão de que ele poderia estar se apresentando em uma sala pequena e vazia.
Ainda assim, esse senso de grandiosidade nunca seria totalmente diminuído. “The Postman” oferece uma injeção do lado divertido de Dom – “Estive esperando pelo carteiro, mas ele desmaiou no chão”, ele brinca sobre um riff vibrante – enquanto uma nova versão de “Zombie” é mais encorpada, mais crua, mas ainda assim devastadoramente emocional, uma releitura de uma das músicas definidoras da época (e ajuda o fato de o tom rouco de Billy Corgan, do Smashing Pumpkins, se encaixar lindamente). “Blueberry Hill” é uma faixa elegante, levemente teatral, que dança nos passos de Freddie Mercury, quase devendo mais ao pop do que às suas raízes mais roqueiras, antes de “Suburban Requiem” amarrar tudo com aquele clássico momento de luzes de celulares no ar. Pode até ter o tamanho de um EP ou de uma edição deluxe, em vez de um álbum inteiro, mas estas são, inegavelmente, as melhores músicas desta fase. Não é apenas o auge da ambição de Dom, mas também de sua maturidade. Sendo assim, este é um disco que ele só poderia ter feito agora, depois de se livrar do medo, da dúvida e da pretensão que antes o aprisionavam. Foi um final belíssimo para o capítulo mais vital de sua carreira até agora.
Veredito: 4/5
Idols II já está disponível via Island Records/Locomotion.
