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THORNHILL fala sobre a “Mercia Tour”, afinidade com SLEEP TOKEN, filmes de terror, ‘Mario Kart’ e mais
No ano passado, o Thornhill se apresentou para algumas das maiores plateias de sua carreira — afinal, a banda australiana de alt-metal foi escolhida a dedo pelo Sleep Token para abrir uma série de shows esgotados em arenas nos EUA durante o outono.
Antes dessa turnê norte-americana, o vocalista Jacob Charlton disse à Revolver que os hinos sensuais e hipnagógicos do mais recente álbum do Thornhill, BODIES, de 2025, foram escritos “para o grande palco”, e a reação que eles receberam dessas músicas — assim como do single lançado durante a turnê, “Mercia” — foi arrebatadora, como o cantor descobriu depois. Charlton costuma fechar os olhos enquanto executa seus vocais mais dinâmicos, mas percebeu, ao assistir vídeos gravados por fãs, que o público respondia com aprovação. Aliás, o mesmo aconteceu com os anfitriões da turnê, nos quais Charlton e o restante do Thornhill encontraram vários espíritos afins.
“[Sleep Token] foi tão amável — tão receptivo e atencioso — e eles realmente se importavam com o que fazemos”, conta o vocalista à Revolver mais recentemente, direto da van da banda, enquanto o resto do grupo carrega os equipamentos antes de começar os ensaios para ajudá-los a “soar melhor e ser melhores” na turnê australiana de fevereiro.
Charlton continua sobre o Sleep Token: “Conversamos bastante, e tínhamos muitas semelhanças nos nossos processos criativos e nos motivos pelos quais fazemos isso. Foi muito legal ver outra banda com a mesma mentalidade, e não ser engolido pelo hype de como eles estão gigantes agora.”
Em especial, o Thornhill se conectou com a abordagem do Sleep Token de priorizar a música, e com a ideia de que, não importa o quão popular uma banda se torne, “você não escreve para o público, você escreve para si mesmo.” Esse impulso levou tanto o Sleep Token quanto o Thornhill a buscarem satisfação própria com lançamentos cheios de breakdowns pesados, riffs arrastados e gritos monstruosos, mas que também tiram a venda de uma estética exclusivamente pesada para criar algo novo.
“Muitas vezes, acho que bandas pesadas têm medo de usar suas [outras] influências... ou simplesmente não têm nenhuma fora do gênero pesado”, observa Charlton. “Bandas como Sleep Token, nós e várias outras têm inspirações e ideias tão fortes fora do nosso próprio gênero. Isso faz o seu som pesado ser diferente. Já conversei com muitas bandas e fãs sobre isso, mas quanto mais amplo for o seu gosto, melhor será a sua música.”
Com isso em mente, o Thornhill está retribuindo nesta primavera com o lançamento da “Mercia Tour” — orgulhosamente apresentada pela Revolver. A turnê norte-americana dos headliners de Melbourne em maio terá a companhia de outros três nomes em ascensão que estão criando seu próprio espaço na cena pesada: os metalcore de Pittsburgh 156/Silence, o grupo de rapcore do Colorado Fox Lake e os alemães do Vianova, que misturam gêneros com suavidade e peso, sendo estes últimos colaboradores do álbum de remixes BODIES X, de 2025.
A turnê também marca o lançamento da edição em vinil “DEFINITIVA” de BODIES, agora com “Mercia” como faixa de encerramento. O LP estará à venda nos shows, enquanto uma versão exclusiva “Cloudy Blue” já pode ser encomendada na loja da Revolver.
Antes do tão aguardado retorno da banda aos EUA, Charlton fala sobre novas músicas, filmes de terror influentes, jogar videogame com fãs e mais.
A última vez que conversamos, você tinha acabado de voltar de procurar locações para o clipe de “Mercia”... Como tem sido a recepção da música desde o lançamento?
Jacob Charlton Eu não tenho acompanhado muito... [mas] é uma música estranha ao vivo.
BODIES é um álbum muito envolvente. É muito você e o público, todo mundo meio que fazendo algo junto. Tem essa energia. Acho que “Mercia” é onde você dá um passo para trás... é sobre a performance da música, que é uma sensação diferente. Mas acho que a resposta tem sido boa.
[“Mercia”] era como sempre imaginamos o final do álbum BODIES. [A faixa de encerramento] “For Now” não era suficiente para nós. “For Now” era ok, mas queríamos terminar de forma grandiosa, de maneira parecida com o que [o álbum de 2022] Heroine fez, ou com estruturas de músicas como “Hollywood”, onde você não sabe o que vem a seguir, mas não fica desinteressado ou entediado. [“Mercia”] foi tipo, “Vamos tratar como uma história e seguir por vários caminhos diferentes. Não quero que seja verso, refrão, verso, refrão, ponte e breakdown.” [Queríamos mesmo] surfar nas ondas da música.
Em termos de reação e interação do público, o clipe de “Mercia” é interessante porque sugere movimentos para a plateia de forma subliminar — como aquela cena de dança em círculo num campo aberto, por exemplo. Você já viu isso acontecer no público?
Ainda não, mas a galera com certeza agita no breakdown. Acho que só não tocamos [o suficiente]. Lançamos [antes da] turnê com o Sleep Token, então o público deles estava começando a nos conhecer. Eles estavam felizes só de assistir à performance — a maioria dos ingressos era para lugares sentados.
Depois fomos para a turnê europeia, e acho que o pessoal estava cantando junto. Era mais uma vibe de cantar junto. Eu quase nem lembro... parece que faz 16 anos.
Acho que vai ser interessante ver como vai ser nas turnês da Austrália e dos EUA, porque é uma música tão difícil que precisa estar relativamente cedo no set para mim. Tenho que fazer vários runs — é muito exigente. Costumo fechar os olhos quando toco essa música, porque fico tão focado em não errar. Não vejo muito como está sendo recebido, [mas] vou prestar mais atenção.
O que você absorveu da experiência geral de sair em turnê com o Sleep Token no último outono?
Foi incrível! Acho, na verdade, que a resposta para “Mercia” na turnê com o Sleep Token foi enorme.
A gente não ouve nada disso quando está com o in-ear — tipo, fica tudo silencioso no palco para nós, muito difícil ouvir o público — mas eu via vídeos, e depois do show você ouve todos os aplausos da galera do Sleep Token tipo, “Meu Deus...” Isso sempre foi muito legal.
Mas sim... toda a turnê foi incrível. Fomos muito bem recebidos por aquele público e base de fãs, e acho que isso fez maravilhas pela banda.
Estamos chegando a um ano do lançamento de BODIES, e quase meio ano desde que você lançou “Mercia”. Você está trabalhando em novas músicas no momento?
Comecei a escrever bastante para um novo disco. Acho que não conseguiria parar nem se tentasse. Não sei se é TDAH não diagnosticado ou algo assim, mas estou realmente produzindo muito.
Falo muito disso com minha namorada, mas na entressafra — depois que você termina um disco — precisa dar uma relaxada. E aí você reabsorve o máximo que pode [ouvindo] música nova e vendo filmes novos. Tipo, estamos tentando ver um filme por semana... ou cinco por semana!
Estamos tentando descobrir qual vai ser a próxima vibe, ou a próxima atmosfera, ou o que queremos dizer que não dissemos antes. Estamos definitivamente nesse processo, mas agora que vamos sair em turnê por três meses, acho que isso vai ficar de lado por um tempo.
Quais filmes têm te chamado atenção ultimamente?
Acabamos de assistir Hamnet, e eu chorei horrores. Foi um filme absurdamente lindo em todos os sentidos. Também estamos tentando ver todos os indicados ao Oscar, tipo One Battle After Another.
Recentemente assisti [de novo] The Killing of a Sacred Deer, de 2017, que é um filme lindo — tão estranho e legal. E revi Hereditary, porque tive uma ideia de cena para uma música e queria ver se estava copiando do filme ou não.
Tinha a ver com alguém batendo a cabeça no teto?
Não, não... era mais sobre subir pelo telhado. Acho que dá para fazer se acabarmos indo por esse caminho.
Qual foi o álbum mais recente que te fez chorar como Hamnet?
Acho que nunca chorei ouvindo música, de verdade. Mas, falando nisso, o disco mais foda [que saiu em 2026] é Croak Dream, do Puma Blue.
Como vocês escolheram as bandas para essa próxima turnê nos EUA?
Acho que procuramos energia. Quando você ainda está crescendo, procura bandas que estão fazendo o próprio som. E amigos, porque o Vianova fez o BODIES X [remix de] “DIESEL”.
O Vianova está fazendo algo insano que só eles fazem, o Fox Lake é muito pesado, e o 156 é uma banda absurdamente afiada. Acho que é uma ótima introdução para esse som geral que todo mundo tem.
Como foi a primeira conexão com o Vianova?
Acho que isso foi mais coisa do [baterista do Thornhill, Ben] Maida, porque ele sempre está ligado nas bandas novas. Eu, para ser sincero, nem ouço música pesada, a não ser na academia. Ele normalmente é quem manda no grupo: “Essa banda é legal.” Tenho que dar o crédito para ele nessa.
Você acha que as duas bandas poderiam recriar a mágica do remix de “DIESEL” ao vivo?
Seria divertido, mas com o quão apertado está nosso timecode, setlist, luzes e tudo mais, não sei se temos espaço para respirar para algo assim agora.
Uma coisa que vocês estão oferecendo aos fãs nos pacotes VIP dessa turnê é a chance de jogar Mario Kart com a banda. Qual a história por trás disso?
[Charlton pega seu Nintendo Switch] Já estou pronto. [Risos] Mas como isso começou? Alguém na turnê tinha um Switch, e jogamos Mario Kart.
Em turnê, você tem muito tempo livre. E para nós, que somos da Austrália, passamos a maior parte do tempo em aeroporto ou avião. Então, eventualmente, todos tínhamos um Switch.
Eu sempre fui bom no Mario Kart, e aí saímos em turnê com o Plot in You, e esses caras são os jogadores de Mario Kart mais insanos que já vi. Toda a banda e a equipe tinham Switch, e faziam grandes corridas.
Tentamos dar Switch para a equipe sempre que possível, [e] todo mundo ficou muito, muito bom. Tão bom que a gente simplesmente destrói uns aos outros. Depois do show, você relaxa, descarrega o equipamento, toma banho, se troca para dormir, e todo mundo: “Vamos Kartar!” E você passa duas horas antes de dormir só se destruindo no jogo.
Então pensamos: “Seria muito legal envolver os fãs nisso”, porque qualquer um pode jogar Mario Kart. Não é sobre ganhar ou perder, é só divertido jogar com os amigos. E queremos que o VIP pareça que somos só uns caras normais. Tipo, não somos essa entidade gigante para ficar nervoso. Somos só quatro idiotas querendo se divertir e jogar.
É uma forma muito legal de tornar tudo mais pé no chão. Sinto que o VIP pode ser meio estranho no começo, e a última coisa que queremos é que as pessoas sintam que gastaram uma grana, ganharam um pôster autografado, apertaram nossa mão e [a gente] sumiu. Queremos que você saia sentindo que realmente conheceu quem somos, o máximo possível.
Você tem um personagem favorito?
Nós quatro temos nosso personagem e nosso Kart, sim.
Qual é o seu, e qual o perfil psicológico dessa escolha?
Eu sou o Villager boy. Acho que ele parece comigo! Ele é legal, tem uma buzina engraçada, e [o Kart dele] tem um peso bom, do jeito que eu dirijo.
...Isso é tão nerd, mas eu sou um cara rápido, ágil. E ele parece durão. Tem um visual maneiro.
E o resto do pessoal?
Sei que o Maids é a Rose Gold Peach. O Cage [vulgo baixista Nick Sjogren] joga de Inkling Girl — que escolha de merda — e o [guitarrista] Ethan [McCann] joga de Tanooki Ma...
