Em uma nova entrevista ao site chileno iRock.cl, o ex-vocalista do JUDAS PRIEST e atual frontman do KK'S PRIEST, Tim "Ripper" Owens, falou sobre a importância de manter um bom preparo físico para encarar as exigências da estrada, especialmente considerando o tempo que passa longe de casa. Ele comentou (conforme transcrição do BLABBERMOUTH.NET): "Em relação à saúde, provavelmente estou em uma das melhores fases... Bem, não vou à academia há um tempo porque estou viajando. Mas costumo ir à academia todos os dias, perdi peso, treino, e provavelmente estou mais saudável. Mas estou com alguns problemas vocais. E, como cantor, isso acontece. Você pode tentar qualquer tipo de remédio, mas quando você tem problemas vocais, você tem problemas vocais. Então, estou tentando descobrir como cantar com esses problemas, o que talvez não seja algo ruim."
Owens continuou: "Porque eu não trapaceio quando canto, eu canto tudo como deve ser cantado. Não mudo as versões. Não fujo das notas altas. Mas agora que estou com alguns problemas vocais, estou tentando aprender a não fazer isso. Não faço isso com frequência porque... Às vezes, tento alcançar aquela nota e algo pode não sair, mas, caramba, eu tento acertar aquela nota. Mas estou aprendendo a talvez segurar um pouco. Talvez eu encontre maneiras de me poupar, porque não estou ficando mais jovem."
Questionado se ainda sente "a mesma empolgação antes de subir ao palco" como sentia no início da carreira, Tim respondeu: "Ainda sinto. Ainda fico um pouco nervoso. Não nervoso para subir ao palco, mas nervoso porque quero cantar bem. Fico quieto e ando de um lado para o outro. Nunca aquecia — nunca na vida, nunca aquecia — mas agora preciso aquecer porque minha voz está assim. E fico nervoso pensando que não vou cantar bem. Sempre fui assim. Mas ainda aguardo ansiosamente pelo show e adoro subir ao palco. Adoro ver as reações faciais das pessoas. É por isso que não consigo parar de cantar as notas altas. Nem gosto tanto de cantar notas altas e coisas agudas, mas adoro ver a reação das pessoas, ver elas sorrirem. Vejo homens e mulheres sorrindo durante o show quando canto, quando atinjo as notas, e eles simplesmente sorriem, e é isso que me anima para subir lá."
Owens prosseguiu: "Sou um cara bem quieto fora do palco, mas quando subo... As pessoas costumavam me chamar de 'Clark Kent' porque fora do palco eu era quieto, usava terno no trabalho, era normal, e então me viam no palco e pensavam: 'O que é isso? Quem é esse cara?' Mas você se alimenta da energia dos fãs. Quando os fãs não estão animados, estão sentados, comendo, é difícil entrar no clima do show. Mas quando estão enlouquecidos, é ótimo."
Em outubro de 2023, Owens reiterou seu compromisso de cantar todas as músicas como foram originalmente gravadas, seja material do JUDAS PRIEST ou do novo projeto KK'S PRIEST. Em entrevista ao DJ Ramo (também conhecido como Omar Rodriguez) do The Metal Mixtape, falando especificamente sobre o segundo álbum do KK'S PRIEST, "The Sinner Rides Again", Owens disse: "Tudo o que você ouve neste disco eu consigo cantar ao vivo. Estou cansado de ver cantores, e não me importo — estou com mais de 50 anos — já vi cantores na casa dos 50 que não conseguem mais. Estou cansado de ver cantores — sei que eles conseguem, mas mudam as músicas; abaixam o tom, criam novas melodias e atingem uma nota alta por um segundo. E é tipo, 'Cara, cante o que você escreveu. Cante o que você escreveu.' Entendo que fica mais difícil. Mas eu consigo cantar 'Sermons Of The Sinner'. E essas músicas do KK'S PRIEST são mais difíceis de cantar do que as clássicas do PRIEST, exceto talvez 'Metal Meltdown'."
Ele continuou: "Tenho orgulho de que tudo o que faço no estúdio, consigo fazer ao vivo. Veja, começamos o show com 'Hellfire Thunderbolt', e se alguém já ouviu nos shows, é 'Hellfire Thunderbolt' seguida de 'One More Shot At Glory', e elas soam como no disco — ou pelo menos muito próximas. E esse é o desafio de fazer esses vocais — uma hora quero que seja agressivo, outra quero que seja alto e limpo, quero que seja suave e bonito, mas consigo fazer tudo isso ao vivo."
"Essas músicas são ótimas de cantar ao vivo, cara", acrescentou. "Adoro cantar essas do 'The Sinner Rides Again' até mais do que as do primeiro disco ['Sermons Of The Sinner', de 2021]. 'One More Shot At Glory', 'Reap The Whirlwind', 'Strike Of The Viper' — cara, elas soam incríveis ao vivo. São inacreditáveis."
Sobre o que faz para conseguir executar as músicas fielmente, Owens explicou: "Veja, eu não aqueço. Tudo começa com: você é um bom cantor ao vivo ou não? ... Tem músicas que ouvi recentemente que soam tão fabricadas. Não que sejam ruins, soam ótimas, mas nem parece — dá para perceber onde foi editado, onde tem Auto-Tune. E é tipo, você não vai conseguir cantar isso ao vivo."
"Existem alguns cantores por aí, são os melhores do mundo, mas não são grandes cantores ao vivo", explicou. "Não são grandes cantores ao vivo para cantar o que gravaram no estúdio. Ainda são ótimos ao vivo; só que mudaram a versão. Criaram uma versão própria para conseguir cantar — o que é válido, porque vai chegar um momento em que vou ter que fazer isso em alguma música ou talvez abaixar uma palavra, mas tento manter fiel. Veja, cantores como Ronnie Dio. Ele não mudava... Se mudava a versão, provavelmente deixava mais difícil. Ele cantava ao vivo."
"Eu gravo tudo no limite da minha capacidade, e sempre luto com meu material", explicou Tim. "Quando faço turnê solo, é bem fácil. São turnês tranquilas para mim, porque faço meu próprio repertório. Mas quando descanso é quando canto as clássicas do PRIEST, e imagino que seja o mesmo até para o Rob [Halford], quando ele canta 'Breaking The Law' e 'Metal Gods'. Essas são, tipo — qualquer um pode cantar, são tão fáceis que são um descanso. Mas nesta turnê, começamos com 'Hellfire Thunderbolt', 'One More Shot Of Glory', 'The Ripper'... Estou fazendo 'Night Crawler' — 'Night Crawler' é fácil. 'Burn In Hell', fácil. 'Sermons Of The Sinner' — eu tinha medo de 'Sermons Of The Sinner', para ser honesto, porque pensei, 'Caramba, isso vai ser difícil.' E na verdade é divertido de cantar."
"Acho que todos os cantores deveriam gravar no limite de sua capacidade. Por isso minhas músicas são sempre mais difíceis, mas alguns cantores simplesmente não conseguem reproduzir ao vivo. Neste disco, senti que conseguiria reproduzir mais facilmente do que no primeiro, porque gravei em casa. Ninguém me dizia o que fazer. Diziam qual era a melodia, mas eu usava minha própria voz. Mas alguns cantores não cantam exatamente o que fazem ao vivo. É assim que são."
Após o BLABBERMOUTH.NET publicar os comentários originais de Tim ao The Metal Mixtape em outubro de 2023 com o título "TIM 'RIPPER' OWENS está 'cansado' de ver cantores que mudam suas músicas para acomodar suas vozes envelhecidas", Owens foi ao X para esclarecer: "Na verdade, era sobre todos os cantores que não conseguem cantar o que gravam! Isso que eu não gosto. Qualquer idade, qualquer cantor. Não sei por que as pessoas ficaram chateadas com o que eu disse."
Owens entrou para o PRIEST em 1996 e gravou dois álbuns de estúdio com a banda — "Jugulator" (1997) e "Demolition" (2001) — antes do retorno de Rob Halford ao grupo em 2003.
