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40 Anos Depois, Master Of Puppets do Metallica Continua Sendo o Álbum Definitivo do Thrash Metal

40 Anos Depois, Master Of Puppets do Metallica Continua Sendo o Álbum Definitivo do Thrash Metal

Quatro décadas é muito tempo para se manter no topo de qualquer coisa. Recordes de vendas são superados, porcentagens de vitórias são batidas, a música fica mais alta, rápida e complexa à medida que novos artistas tentam superar o que veio antes. Mas, quando se trata de thrash metal, poucos álbuns resistiram tão bem ao teste do tempo e continuam sendo exemplos máximos do gênero como o clássico de 1986 do Metallica, Master Of Puppets.

Olhando para trás, agora em 2026, é fácil enxergar o lugar de Master Of Puppets no panteão dos álbuns de metal. Ele é praticamente inquestionável em todos os aspectos. Desde o ataque inicial de "Battery" até o furioso e incendiário encerramento com "Damage, Inc.", os 55 minutos do disco não dão trégua. E, diferente do antecessor Ride The Lightning, aqui não há faixas consideradas "encheção de linguiça" como "Escape" para atrapalhar a experiência.

Mas é difícil imaginar o impacto que foi, em 3 de março de 1986, quando o mundo do metal foi para sempre transformado pelo lançamento desse verdadeiro titã. Até então, o Metallica tinha apenas dois álbuns no currículo. E, embora Ride The Lightning já fosse considerado um clássico, nada preparou o público para a avalanche sonora que seria o terceiro disco da banda. Imagine abrir uma cópia de Master Of Puppets no dia do lançamento e ouvir "Battery" pela primeira vez, seguida da agora lendária faixa-título. Se seu cabelo não estivesse pegando fogo e seu pescoço não estivesse dolorido, provavelmente um médico poderia declarar você clinicamente morto.

Depois, vem o bloco mais lento e, por vezes, sombrio, com "The Thing That Should Not Be" e "Welcome Home (Sanitarium)". A primeira é mais uma música do Metallica inspirada nas obras de horror cósmico de H.P. Lovecraft, enquanto a segunda foi baseada em Um Estranho no Ninho. Apesar de "Welcome Home (Sanitarium)" ser um pouco controversa devido a alegações de que o riff principal teria sido plagiado de "Rainbow Warrior" do Bleak House, ela segue como uma das favoritas dos fãs.

Em seguida, vem o que considero o bloco da "hipocrisia" do álbum, com "Disposable Heroes" e "Leper Messiah". Em "Disposable Heroes", o Metallica confronta a hipocrisia de enviar jovens para morrer em guerras por motivos questionáveis (algo que, ironicamente, ainda é atual). Já "Leper Messiah" critica a hipocrisia do televangelismo e das igrejas que exigem dinheiro para garantir um "lugar melhor" no céu. Ambas as faixas são um grande "foda-se" para essas instituições.

Depois chega "Orion" — a instrumental saborosíssima que destaca o incrível talento do saudoso baixista Cliff Burton. Este seria, infelizmente, o último álbum com Burton, já que ele faleceu em um acidente de ônibus na Suécia, em setembro daquele ano, aos 24 anos. O baixo de Burton se sobressai durante todo o disco, mas é por volta dos quatro minutos de "Orion" que a linha de baixo realmente flutua na mixagem. É um momento incrível para simplesmente curtir o som e ouvir Burton e o resto da banda apenas jammeando. Uma pausa perfeita antes do álbum retomar o ritmo para o grand finale, "Damage, Inc."

Sem deixar o disco terminar de forma suave, o Metallica parte para um encerramento explosivo com "Damage, Inc.". Não é um "hino do metal" tradicional, mas sim um chamado à ação. Dos riffs intensos à bateria de Lars Ulrich — tocando de uma forma que ele mesmo hoje em dia não conseguiria repetir — essa faixa final é um lembrete de que, no fim das contas, o Metallica veio para destruir os impostores. Posers, cuidado: "a vida não é para vocês e nós somos a cura".

Este álbum foi o manifesto de uma banda de thrash metal da Bay Area fincando sua bandeira no gênero e reivindicando-o para si. Master Of Puppets foi uma declaração de intenções — o mundo iria ouvir esse quarteto da Califórnia e finalmente entender o que era o thrash metal. Este se tornou o parâmetro pelo qual todos os outros discos do estilo seriam julgados dali em diante. Afinal, Slayer só lançaria Reign In Blood sete meses depois, em outubro; Among The Living do Anthrax só sairia no ano seguinte; e Megadeth lançaria Peace Sells… But Who’s Buying? em setembro. Por meses, Master Of Puppets foi a grande novidade e impulsionou o Metallica a começar a lotar arenas, sem nunca mais olhar para trás.

Deixo este retrospecto com uma lembrança pessoal. Quando comecei a ouvir metal, era um garoto do nu metal — Korn, Limp Bizkit, Linkin Park — você conhece o caminho. Eu já estava experimentando outros estilos mais extremos para ver o que curtia e, na época, Slayer me assustava (eu ainda era meio religioso) e nunca tinha ouvido falar de Anthrax ou Megadeth. Só quando ganhei Master Of Puppets de presente percebi que aquilo era o meu som.

Lembro claramente de implorar para minha mãe me deixar no carro enquanto ela fazia compras, só para quase estourar os alto-falantes do Pontiac dela ouvindo Master Of Puppets no volume máximo. Lembro dos olhares dos transeuntes, que claramente ouviam o que eu estava escutando enquanto eu me debatia no banco da frente.

Esse álbum, acima de tudo, mudou minha vida — e sei que não sou o único. Agora, ao completar 40 anos também, é impossível não olhar para trás e pensar em tudo que passou. O álbum está mais velho, eu estou mais velho... E os caras do Metallica, então, nem se fala. Mas o que vai sobreviver a todos nós é o fato de que Master Of Puppets é um daqueles discos que resistirão ao tempo. Desde seu lançamento em 1986 até o eventual fim do universo, é um clássico do metal inegável e imbatível.