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5 Motivos Pelos Quais o Black Crowes Merece Estar no Hall da Fama do Rock

5 Motivos Pelos Quais o Black Crowes Merece Estar no Hall da Fama do Rock

Chris Robinson e Rich Robinson sempre foram o núcleo criativo do Black Crowes. E ainda bem, pois são os únicos integrantes da formação atual que aparecem na lista de indicados ao Hall da Fama do Rock & Roll de 2026.

Após uma década de elegibilidade sem grandes movimentações, o Black Crowes agora foi nomeado por dois anos consecutivos. Outros membros que seriam homenageados incluem o guitarrista original Jeff Cease (1989-91), o baixista da era clássica Johnny Colt (1989–1997), o guitarrista Marc Ford (1991-97, 2005-06), o baterista de longa data Steve Gorman (1989-2002, 2005-15) e o saudoso tecladista Eddie Harsch (1992-2002, 2005-06).

Gorman é, de longe, o ex-integrante mais conhecido do Black Crowes, mas sua saída da banda também foi a mais conturbada. Não está claro se ele se juntaria aos irmãos Robinson em uma futura cerimônia de indução. Após a indicação do Black Crowes, Chris Robinson apenas comentou que uma reconciliação teria que acontecer "mais adiante".

O Ressurgimento do Black Crowes no Fim da Carreira Reforça o Currículo

O Black Crowes realizou sua segunda reunião em 2019 sem Gorman, justamente quando ele se preparava para lançar uma autobiografia reveladora intitulada "Hard to Handle: The Life and Death of the Black Crowes – A Memoir". Posteriormente, ele processou os irmãos Robinson por royalties atrasados; o processo foi resolvido sem divulgação dos termos. Chris e Rich Robinson seguiram em frente, impulsionados por uma notável criatividade tardia.

O recém-lançado "Pound of Feathers" marca o segundo álbum novo em três anos dessa fase revigorada do Black Crowes, que também lançou um EP de covers e um registro ao vivo celebrando o álbum de estreia. Esse novo material só reforça um currículo sólido para o Hall da Fama, que inclui quase oito milhões de álbuns vendidos apenas nos EUA. Confira cinco motivos pelos quais, desta vez, o Black Crowes merece a consagração:

1. O Black Crowes Resgatou o Rock para uma Era Mais Crua e Autêntica

O Nirvana costuma receber os maiores créditos por resgatar o rock do abismo da irrelevância dos hair bands, mas o Black Crowes já havia pavimentado esse caminho com o "Shake Your Money Maker" de 1990, que vendeu cinco milhões de cópias. (O Guns N' Roses também merece menção.) Era um rock sujo e cheio de groove, no estilo dos Rolling Stones, Faces e Aerosmith, mas com uma atitude própria de bar do interior.

Em uma época em que até o Heart havia cedido à onda das power ballads com "All I Wanna Do Is Make Love to You", a balada "She Talks to Angels" era um retorno às raízes no melhor sentido. Ao longo de uma discografia orgânica e variada, destacada pelo sucesso "Southern Harmony and Musical Companion" de 1992, o Black Crowes devolveu o clássico ao classic rock.

2. O Black Crowes Superou Grandes Obstáculos (e Seus Próprios Conflitos)

A formação original, ainda como Mr. Crowe's Garden em Atlanta, era uma cópia dos ídolos de infância R.E.M. A relação inicial com Rick Rubin, da Def American, azedou rapidamente. (Rubin chegou a sugerir que mudassem o nome para Kobb Kounty Krowes, proposta recusada educadamente.) O primeiro álbum teve mais sucesso comercial do que de crítica.

Algumas lojas se recusaram a vender "Amorica" (1994) devido à capa polêmica, retirada de uma edição da revista Hustler de 1976. Antes da reunião de 2019, as brigas constantes entre os irmãos Robinson levaram a duas separações anteriores. Mesmo assim, "Amorica" se tornou disco de ouro e quase entrou no Top 10. A banda emplacou seis músicas no topo das paradas de rock da Billboard. Oito dos onze álbuns do Black Crowes chegaram ao Top 20.

3. Uma Carreira que Celebra o Passado Glorioso da Música

O Black Crowes conecta diversos fios atemporais da música, do rock ao jam band, do glam ao R&B. Suas escolhas de covers e colaborações reforçam essa ideia. O grupo ganhou fama com a releitura cheia de personalidade de "Hard to Handle", de Otis Redding, no álbum de estreia. Em 2000, exploraram faixas do Led Zeppelin no álbum ao vivo "Live at the Greek", gravado com Jimmy Page.

O EP "1972", lançado na fase de retorno, trouxe uma seleção de covers daquele ano, incluindo David Bowie, Rolling Stones, T. Rex, Rod Stewart, Little Feat e The Temptations. "O mais legal disso, para mim", disse Rich Robinson à Rolling Stone, "é como o espectro musical era amplo – e tudo tocava na mesma estação de rádio." O mesmo vale para o Black Crowes.

4. O Black Crowes Nunca se Vendeu (Mas Pagou o Preço)

Chris Robinson fez um discurso inflamado contra interesses corporativos no rock durante uma turnê de abertura para o ZZ Top... patrocinada pela cervejaria Miller. "A Miller disse: 'Vocês não podem falar isso, e se falarem, estão fora da turnê'", relembrou Rich Robinson à revista Q. "Nós respondemos: 'Não temos contrato com vocês. Achamos que estávamos indo em turnê com o ZZ. Se quiserem nos tirar, podem tirar.'" E eles tiraram.

O grupo deixou a gravadora de Rick Rubin após o sucesso "Three Snakes and One Charm" (1996), mas levou três dos quatro álbuns seguintes de volta ao Top 20, agora em seu próprio selo independente. Ecoando sua postura anti-establishment, Chris Robinson chegou a dizer que recusaria a entrada no Hall da Fama após visitar o museu e descrevê-lo como "um shopping center". Mudou de ideia após duas indicações seguidas.

5. Uma Rara Oportunidade de Dar ao Hall da Fama uma História Positiva

Antes, era de se esperar mais uma reunião parcial e decepcionante no Hall da Fama do Rock & Roll caso o Black Crowes fosse homenageado. Quem não se lembra da ausência de Paul McCartney na indução dos Beatles? Roger Waters não compareceu na noite do Pink Floyd. Jerry Garcia, Mark Knopfler e Levon Helm também não estiveram presentes quando Grateful Dead, Dire Straits e The Band, respectivamente, foram introduzidos. O Van Halen foi representado apenas pelo baixista original Michael Anthony e pelo segundo vocalista Sammy Hagar.

Enquanto isso, o Black Crowes era tão famoso pelas brigas constantes que chegou a fazer uma turnê chamada "Tour of Brotherly Love" em 2001, ao lado dos igualmente conflituosos irmãos do Oasis e do Spacehog. Mas, após se separarem em 2002 e novamente em 2015, depois de dez anos juntos, os irmãos Robinson conseguiram superar as diferenças. Hoje, ambos certamente compareceriam juntos à cerimônia de indução – algo impensável anos atrás.

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Crédito da galeria: Equipe Ultimate Classic Rock

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