A CBS Mornings divulgou uma entrevista estendida com Alice Cooper, concedida a Anthony Mason, sobre a evolução do personagem inesquecível que o lendário roqueiro criou — tema detalhado em sua nova autobiografia, "Devil On My Shoulder". Ao abordar a inspiração para seu personagem andrógino de palco, marcado pelo uso pesado de maquiagem e um show teatral baseado em imagens de filmes de terror, Alice, nascido Vincent Damon Furnier, declarou (conforme transcrição do BLABBERMOUTH.NET):
"Acho que, honestamente, queria que Alice fosse meu roqueiro favorito, e ele ainda é. Ele tem exatamente a aparência que eu quero que um astro do rock tenha. Ele canta do jeito que eu gostaria que cantasse. Ele fala sobre as coisas que eu gostaria que ele falasse. Então, sempre criei Alice para ser, 'Ah, se eu estivesse na plateia... Olha só, ele tem uma bengala. Ele usa cartola. E ele nunca fala com o público, porque isso seria abaixo dele.' Ele é meio que esse vilão arrogante, condescendente. E, no final, eu deixo o público entrar na brincadeira. Então eu digo, 'Bem, bem, bem, vejam só quem temos aqui.' E aí ele começa a falar com eles. E eles ficam, 'Ah.' [Risos] Mas nunca deixei Alice falar com o público. Porque, se ele fala, ele se torna humano, vira um deles, e eles não querem isso. Eles não querem que ele seja o [Jon] Bon Jovi. Não querem que ele seja Paul McCartney. Querem que ele seja essa outra coisa que existe em algum lugar por aqui."
Sobre o show ao vivo de Alice e como ele evoluiu desde os primeiros dias, Cooper comentou: "Éramos muito versáteis em encontrar coisas que funcionassem. No começo, não tínhamos dinheiro para adereços. Se eu achasse um esfregão nos bastidores, ele podia ser uma garota. Podia ser algo que eu montava. Podia ser uma arma. Podia ser qualquer coisa. Então, aprendemos primeiro o teatro de guerrilha. Depois, quanto mais dinheiro ganhávamos, mais produzido o show ficava. Quem entende isso, e talvez você entenda, 'Hellzapoppin'' [o filme e espetáculo da dupla de comédia John 'Ole' Olsen e Harold 'Chic' Johnson] era nossa bíblia. O absurdo daquilo, só que ligado ao rock and roll, e um pouco de terror. E, se fosse para fazer o enforcamento, que fosse bem feito. Que parecesse real mesmo. E quanto mais os pais odiavam aquilo, melhor era para nós. As crianças amavam tudo que os pais odiavam. E quanto mais conseguíamos explorar isso, melhor."
Alice também falou sobre o que o mantém motivado a se apresentar em alto nível, mesmo perto dos 80 anos. Ele disse: "Acho, e digo isso muitas vezes, e as pessoas não entendem — muito disso vem do medo. Você está diante de 20 mil pessoas. É melhor entregar o que prometeu. Agora, eles esperam que Alice Cooper seja um velho, um homem de 78 anos, subindo no palco. E lembro de uma senhora dizendo para outra, 'Ah, ele provavelmente passa o show sentado.' E então elas assistiram ao show, e eu estava lá, [correndo pelo palco]... Sempre senti que precisava me provar."
Questionado sobre de onde vem essa necessidade, Alice respondeu: "Não sei. Mas é um bom agente motivador, porque nunca, jamais, faço de qualquer jeito. Tenho que dar tudo de mim, 100%. Sempre disse: 'Se eu não puder parecer o Alice, se não puder me apresentar como Alice, se eu pesar 50 quilos a mais, Alice acabou. Alguém mais deveria ser o Alice. Minha filha, Calico, deveria ser o Alice.'"
Sobre a possibilidade de vender os direitos de propriedade intelectual de Alice Cooper, como o KISS fez quase três anos atrás, Alice foi direto: "Não, acho que não. Não precisamos do dinheiro. [Risos] Mas o KISS são bons amigos. São realmente bons amigos. Quando eles surgiram, todos queriam que houvesse uma grande rivalidade... E [David] Bowie também. 'Ah, Alice e Bowie se odeiam.' E não era verdade. Éramos amigos. Eu adorava o fato de que, finalmente, havia uma banda capaz de fazer essas performances teatrais absurdas e, ao mesmo tempo, ter hits nas paradas. Isso nunca tinha acontecido antes. Fomos a primeira banda a fazer isso. E acho que o Bowie pensou, 'Ok, quero fazer isso.' Na verdade, ele dizia para os SPIDERS FROM MARS: 'Venham. Quero que vejam o Alice. É isso que precisamos fazer.' E aí ele levou isso para o espaço sideral e criou seu próprio personagem. Então, não me sinto ameaçado por isso. Se ele tivesse usado maquiagem e feito exatamente o que eu fazia, eu diria, 'O que você está fazendo?'"
"Devil On My Shoulder" será lançado nos EUA em 6 de outubro pelo recém-criado selo Da Capo, da Grand Central Publishing.
Acostumado a trilhar seu próprio caminho, Alice Cooper deixou uma marca profunda no rock com um show ao vivo incomparável e hinos atemporais como "School's Out", "No Mr. Nice Guy" e "Poison". Com mais de 50 milhões de álbuns vendidos mundialmente, ele ganhou uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood em 2003 e foi incluído no Rock And Roll Hall Of Fame em 2011. Com um dos catálogos mais influentes da história, a Rolling Stone colocou o disco "Love It To Death" (1971), certificado como platina, entre os "500 Maiores Álbuns de Todos os Tempos". Outros álbuns de platina incluem "Killer" (1971), "School's Out" (1972), o número 1 da Billboard 200 "Billion Dollar Babies" (1973), "Welcome To My Nightmare" (1975) e "Trash" (1989), para citar alguns. Este último ainda entrou na lista da Rolling Stone dos "50 Maiores Álbuns de Hair Metal de Todos os Tempos".
A presença de Alice Cooper é tão marcante na cultura pop que ele não só fez uma participação cult em "Quanto Mais Idiota Melhor" ("Wayne's World") em 1992, como também estrelou ao lado de John Legend e Sara Bareilles na produção da NBC de 2018 de "Jesus Christ Superstar Live In Concert", de Andrew Lloyd Webber e Tim Rice. Ele também apareceu de forma memorável em "Os Muppets", "That 70s Show!" e no filme "Sombras da Noite", de Tim Burton. Além de centenas de sincronizações, artistas como Etta James, THE SMASHING PUMPKINS, MEGADETH e THE FLAMING LIPS já fizeram covers de suas músicas. THE BEASTIE BOYS, DISTURBED e muitos outros já samplearam suas faixas. Entre seus colaboradores estão nomes como o falecido Vincent Price, AEROSMITH, GUNS N' ROSES e Jon Bon Jovi, só para citar alguns. Além disso, ele cofundou o HOLLYWOOD VAMPIRES ao lado de Joe Perry, do AEROSMITH, e Johnny Depp.
Mais recentemente, "The Revenge Of Alice Cooper", de 2025, reuniu os membros sobreviventes da formação original da banda ALICE COOPER, recebendo aclamação da crítica. Depois de milhares e milhares de shows e facilmente mais de um milhão de quilômetros percorridos, o integrante do Rock And Roll Hall Of Fame segue firme, perpetuando sua lenda no folclore do rock 'n' roll.
