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Dave Grohl usou a música como 'muleta' após a morte de Taylor Hawkins
Dave Grohl finalmente se abriu sobre a dificuldade de lidar com a morte de seu companheiro de banda no Foo Fighters, Taylor Hawkins.
"Perder o Taylor nunca deveria ter acontecido", comentou Grohl de forma solene durante uma recente entrevista à revista Mojo, sua primeira conversa sobre Hawkins desde a morte do baterista em 2022. "Isso virou nosso mundo de cabeça para baixo e me fez questionar tudo sobre a vida, porque foi tão... Foi tão injusto. Ainda tenho dificuldade em entender isso."
Foi em 25 de março de 2022 que Hawkins faleceu tragicamente em seu quarto de hotel em Bogotá, Colômbia, poucas horas antes do Foo Fighters se apresentar no Festival Estéreo Picnic. Enquanto os fãs lamentavam a notícia, a banda se reuniu no quarto de Grohl, onde "beberam e choraram".
Com o passar dos dias e a realidade se impondo, Grohl buscou qualquer coisa que pudesse afastar sua mente da perda de Hawkins.
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"Acho que eu tinha medo do silêncio, medo de ter que sentir", admitiu o frontman. "Eu poderia ter aproveitado um pouco mais do silêncio, ter cavado um pouco mais fundo. Nunca quero dizer que a música é uma distração, mas definitivamente a usei como uma muleta para algum membro quebrado."
Essa não foi a primeira vez que Grohl enfrentou a perda devastadora de um colega de banda. Ele passou por uma tragédia semelhante em 1994, quando Kurt Cobain, vocalista do Nirvana, tirou a própria vida. O Foo Fighters nasceu dessa dor, e quase 30 anos depois, a banda novamente se mostrou uma presença curativa para Grohl.
"Percebemos que isso era algo que precisávamos fazer", explicou Grohl, destacando a necessidade de manter a banda ativa. "Porque já tinha nos salvado uma vez."
Dave Grohl diz que seu 'horizonte é muito diferente' agora
Ao invés de encerrar as atividades após a morte de Hawkins, o Foo Fighters seguiu em frente. A banda realizou grandes shows em tributo ao baterista, gravou e lançou um novo álbum – "But Here We Are", de 2023 – e recrutou Josh Freese para assumir a bateria. Embora a parceria não tenha se mostrado ideal – Freese foi dispensado em 2025 e depois admitiu que a música da banda não ressoava com ele – ficou claro que o Foo Fighters estava determinado a continuar. Agora, o grupo conta com um novo baterista, Ilan Rubin, e prepara outro álbum, "Your Favorite Toy", previsto para abril.
Na entrevista à Mojo, Grohl, normalmente expansivo, adotou um tom reflexivo ao comentar como sua vida mudou nos últimos anos.
"Tive que reexaminar minha ambição e intenção", observou. "Muitos desses projetos ao longo dos anos eram uma validação superficial para provar que eu conseguia – não que eu precisava fazer. Sempre fui o cara que não conseguia ficar parado. Não conseguia tirar férias. Precisava da TV ligada para conseguir dormir. Era o silêncio – a quietude – que me assustava."
"Meu horizonte é muito diferente", continuou Grohl. "Ainda teremos muitas coisas para fazer nos próximos anos que vão lembrar a todos que o Foo Fighters adora rodar o planeta tocando rock." A diferença agora: "Antes, eu estava funcionando no limite, no combustível comum. Agora estou queimando diesel de verdade."
Abaixo, confira todos os grandes shows de rock e metal que acontecem este ano.
