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Dave Mustaine fala sobre Metallica e outros 'o segurando' nos primeiros anos do Megadeth: "Por muito tempo, era eu contra o mundo"
Para Dave Mustaine, vocalista e guitarrista do Megadeth, relações rompidas e adversidades constantes sempre serviram de combustível para sua criatividade. Agora, aos 64 anos e encarando a aposentadoria devido a preocupações crescentes com a saúde, Mustaine parece mais reflexivo do que reativo.
No livro do metal, pelo menos um ou dois capítulos poderiam ser dedicados à sua saída do Metallica em 1983, quando a banda de thrash metal ainda estava em ascensão. Cansados do abuso de substâncias e do comportamento combativo de Mustaine, os integrantes do Metallica o expulsaram de forma infame no meio de uma turnê. A indignação e a raiva desse episódio impulsionaram Mustaine a seguir seu próprio caminho, criando um dos pilares do thrash metal com o Megadeth.
O relacionamento tenso com seus ex-colegas do Metallica influenciou boa parte da carreira inicial do Megadeth. As tréguas que Mustaine, James Hetfield (vocalista/guitarrista do Metallica) e Lars Ulrich (baterista) tentaram firmar ao longo das décadas nunca duraram muito. Atualmente, eles estão novamente distantes, após uma disputa de royalties em 2016 envolvendo a demo "No Life 'Til Leather" do Metallica.
Apesar de Mustaine expressar repetidamente o desejo de enterrar o machado de guerra e sair em turnê com o Metallica antes do fim do Megadeth, não há sinais concretos de que isso vá acontecer. Em uma entrevista recente ao Los Angeles Times, Mustaine admitiu essa realidade. Mesmo após revisitar "Ride The Lightning" — faixa do Metallica na qual tem créditos de composição e que foi lançada após sua saída — para o álbum de despedida do Megadeth, como um gesto simbólico de reconciliação, ninguém do Metallica entrou em contato com ele sobre a música.
Sobre isso, Mustaine declarou: "Pode ser que eu nunca mais tenha a chance de dizer olá para James ou Lars. Eu sabia que algumas pessoas teriam dificuldade em me ver tocando essa música, mas tudo bem, porque eu queria prestar uma homenagem e mostrar meu respeito. Se eles gostarem, ótimo. Se não gostarem, tudo bem. Se ouvirem, ótimo. Se não ouvirem, tudo bem também."
Ele continuou: "Sabe, eu me diverti muito quando estava no Metallica, e fizemos algo tremendo. É uma pena o que a bebida causou, mas éramos todos jovens e, tirando o Lars, viemos de famílias bastante desestruturadas. Muita coisa aconteceu ao longo dos anos, mas eu sinto que seria ótimo resolver tudo com eles antes de pararmos. Deveríamos ser amigos. Não há motivo para não sermos amigos."
Mais cedo na mesma conversa, Mustaine falou sobre a motivação que tirou da relação conturbada com o Metallica nos primeiros anos do Megadeth e das pressões que, segundo ele, a banda exercia sobre ele. Ele afirmou: "Pense nisso. Onde eu estaria agora se não tivesse uma das maiores bandas do mundo gastando tempo tentando me segurar? Eles não fazem mais isso, mas na época, quando faziam, eu só balançava a cabeça. E não era só o Metallica, era todo mundo. Por muito tempo, era realmente eu contra o mundo. Era como se, se você não estivesse comigo, estivesse contra mim."
