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Female-Fronted Não É Um Gênero
Só por curiosidade – Courtney LaPlante do Spiritbox soa de alguma forma parecida com, digamos, Kiarely "Kia" Castillo ou Janel Monique Duarte (ex-integrante) do Conquer Divide? Lizzie Hale do Halestorm e Fernanda Lira do Crypta compartilham alguma característica em comum que defina como elas soam? Ou todas essas bandas são simplesmente agrupadas juntas por causa do gênero? Babymetal e Jinjer pertencem ao mesmo gênero 'female-fronted' quando essa descrição não faz absolutamente nada para explicar como qualquer uma dessas artistas soa?
Kawaii metal, progressive metalcore, melodic death metal, deathcore, symphonic metal – esses são gêneros que realmente definem como um artista soa. E daí, porra, é uma banda 'female-fronted'. Me diga como é o som deles. Nós não dizemos 'male-fronted' ou 'vocalista masculino', então se estamos falando de igualdade aqui, em sua teoria verdadeira – o gênero não deveria ser mencionado. Não é um fator em como uma banda soa. Courtney LaPlante, Daniela "Dany" Villarreal Vélez do The Warning, Fernanda Lira e Cristina Scabbia do Lacuna Coil e seus vocais não têm muita coisa em comum, exceto pelo fato de que geralmente caem na faixa normal das mulheres – mas é só isso.
Mulheres existem no mesmo espaço que homens desde o início do Homo sapiens – fêmeas e machos existem desde o começo da vida. Então, por que é um grande feito uma mulher fazer a mesma coisa que um homem? Essa pergunta, em geral, abre a discussão sobre papéis 'de gênero' no trabalho, no entretenimento e em casa, no entanto. Mas é uma questão relevante para o destaque constante do gênero de uma vocalista quando é uma mulher atrás do microfone. Homens nunca precisaram justificar ou destacar o fato de serem homens em uma entrevista, em um álbum, em um festival – ainda assim, existe uma expectativa de que as mulheres não só sejam destacadas, mas quase… (de forma condescendente) elogiadas. 'Ah, sim, você pode fazer parte disso também. Olha só! Muito bem.' Existe uma natureza diminutiva e chauvinista nesse tipo de rotulagem que, honestamente, é mais destrutiva do que produtiva.
Na maioria das vezes, as mulheres não estão nem aí se é um vocalista masculino. Nunca foi um ponto de comparação – "É, ele é bom para um vocalista masculino" – e sim, "É, ele é bom." Por que é necessário apontar que "ela é boa para uma vocalista feminina"? É uma descrição irrelevante, desnecessária e, para ser sincero, preguiçosa de qualquer artista 'female-fronted'. O hard rock melódico do The Warning, o death metal do Crypta, o symphonic metal do Within Temptation, o progressive metalcore do Jinjer e o heavy metal do Kittie são reduzidos a uma mera descrição de três palavras que não diz absolutamente nada ao ouvinte, um potencial fã, sobre a banda, exceto pelo maldito gênero.
Chamar bandas de 'female-fronted' não inclui de fato as mulheres nos espaços do metal, na verdade as separa, e cria uma divisão entre como as bandas são categorizadas e identificadas sonoramente – as mulheres viram mercadorias e a inclusão se torna algo a ser 'elogiado'. Não é isso que as mulheres querem.
Elas querem existir no mesmo espaço que um homem, em paz, sem surpresa ou celebração. Elas só querem ser. Então, apenas… pare de descrever uma banda como 'female-fronted' e comece a usar gêneros que expliquem como elas soam.
Na foto: Arch Enemy, Babymetal, Calva Louise, Conquer Divide, Crypta, Evanescence, Halestorm, Lacuna Coil, Jinjer, Kittie, Spiritbox, The Warning, Within Temptation
