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Gary Holt reflete sobre os shows de reunião do SLAYER: 'Fomos realmente bons. Ensaiamos muito.'

Gary Holt reflete sobre os shows de reunião do SLAYER: 'Fomos realmente bons. Ensaiamos muito.'

Em uma nova entrevista concedida a Jorge Botas, do Metal Global de Portugal, o guitarrista do SLAYER, Gary Holt, foi questionado se ficou surpreso ao ser convidado para participar das duas primeiras apresentações de reunião da banda, realizadas em 22 de setembro de 2024 no Riot Fest, em Chicago, Illinois, e em 10 de outubro de 2024 no festival Aftershock, em Sacramento, Califórnia. Holt, que também é membro de longa data do EXODUS, respondeu (conforme transcrição do BLABBERMOUTH.NET): "Sim, fiquei. Fiquei super surpreso. [Mas] foi muito divertido. Fomos realmente bons. Ensaiamos muito. Quero dizer, trabalhamos muito duro. E fomos realmente bons, nos divertimos muito, e isso foi o mais importante. Agora acho que — temos um [show] este ano [em 2026], uma apresentação no Texas [no festival Sick New World], e talvez no próximo ano eles decidam fazer outro. Estou sempre disponível. E isso me deixa com a maior parte do meu tempo livre para o EXODUS, o que é perfeito para mim. Porque é onde eu deveria estar."

No início desta semana, o SLAYER anunciou sua primeira apresentação ao vivo de 2026, marcada para 6 de setembro, durante o 20º aniversário do festival Rocklahoma, no Rockin Red Dirt Ranch, em Pryor, Oklahoma. Assim como no Sick New World, o SLAYER celebrará os 40 anos do clássico do thrash metal "Reign In Blood" no evento, onde dividirá o palco com BLACK LABEL SOCIETY, THE PRETTY RECKLESS, THE INSANE CLOWN POSSE, SUICIDAL TENDENCIES e outros.

Em maio passado, Holt comentou no podcast "Talk Is Jericho" sobre os primeiros shows de reunião do SLAYER: "Bem, fazia anos, mas ensaiamos muito para esses shows. Nos dedicamos de verdade. Eu nunca parei. Estava em turnê [com o EXODUS] um mês depois do último show do SLAYER. Só a pandemia me desacelerou. Então, minha técnica estava em dia. Foi só uma questão de me reacostumar um pouco com o repertório."

Quando perguntado se ficou surpreso ao receber a ligação avisando que o SLAYER planejava voltar aos palcos, Gary disse: "Com certeza. As pessoas dizem: 'Ah, isso e aquilo. Vocês planejaram isso o tempo todo.' Eu digo, olha, soube um pouco antes dos outros, mas não fazia ideia há muito tempo. Soube com antecedência suficiente para sentar em casa e começar a estudar as músicas, porque queria estar realmente preparado. Mas, sim, fiquei surpreso."

Holt continuou: "Tenho certeza de que sempre houve propostas para a banda, mas eles sentiram que era o momento, e estou mais do que feliz em fazer parte disso. E pelo menos até agora, o método atual, que tem sido [o SLAYER fazer] um pequeno número de shows por ano, está ótimo porque estou totalmente comprometido com o EXODUS. Assim, posso fazer isso e depois sair [com o SLAYER] e tocar com pirotecnia, que, aliás, é caro pra caramba. O EXODUS não tem pirotecnia."

Em outubro de 2024, Holt contou a Chuck Armstrong, do Loudwire Nights, que as apresentações do SLAYER no Riot Fest e no Aftershock foram "surreais. Foi incrível", disse ele. "Ensaiamos muito para isso, com ensaio de produção completo. No passado, quando ensaiava — o SLAYER ensaiava em uma salinha de estúdio com pequenos half stacks. Desta vez foi legal porque pude tocar com todo o equipamento — três amplificadores, seis caixas, tudo ligado. Pude redesenhar o setup com base no meu equipamento do EXODUS. Então era exatamente o mesmo timbre, só que três vezes maior, o que foi sensacional."

"Estávamos nervosos", admitiu Holt. "Tom [Araya, baixista/vocalista do SLAYER] estava nervoso, e ele soou incrível. Às vezes, você só precisa esquecer o tempo e quanto tempo passou e deixar a memória muscular agir e simplesmente fazer. Só toquei uma música que nunca tinha tocado, que foi '213'. E 'Reborn' eu só tinha tocado, acho que uma vez, então era quase uma música nova — uma ou duas vezes. O resto era só relembrar."

Gary acrescentou: "Comecei a trabalhar nas músicas há muito, muito tempo, quando os shows foram anunciados: 'Beleza, é melhor garantir que ainda sei tocar isso.' E literalmente tive que mergulhar em tablaturas na internet de músicas que já tinha tocado centenas de vezes. Mas aí eu pensava: 'Cara, estou tocando errado.' Então eu simplesmente esquecia e tocava, e aí tudo bem, minhas mãos lembravam onde estavam as notas."

"Mas foi espetacular", disse Holt. "Foi incrível. Foi surreal. Foi aquele momento. O público estava muito feliz. E nós estávamos felizes, e tudo correu bem."

A única apresentação do SLAYER na Costa Leste dos EUA em 2025 aconteceu em 20 de setembro, no Hersheypark Stadium, na Pensilvânia, para 30 mil pessoas. Dois dias antes, o SLAYER se apresentou no festival Louder Than Life, em Louisville, Kentucky. O show no Louder Than Life marcou o quarto show completo dos pioneiros do thrash metal reunidos em 2025, após as apresentações no Blackweir Fields, em Cardiff, Reino Unido (35 mil pessoas), no Finsbury Park, em Londres (45 mil pessoas), e no Festival D'été De Québec, no Canadá (100 mil pessoas). O SLAYER também participou da celebração da carreira do BLACK SABBATH, tocando um set de seis músicas no show "Back To The Beginning", com ingressos esgotados, em 5 de julho, no Villa Park, em Birmingham, Inglaterra.

A formação dos shows de retorno do SLAYER em 2024 e 2025 foi a mesma da última turnê em 2019: o guitarrista Kerry King, o baterista Paul Bostaph, além do baixista/vocalista Tom Araya e do guitarrista Gary Holt.

Em julho de 2024, Kerry King contou à revista Guitar World que ficou "muito surpreso" quando Araya aceitou tocar em três shows do SLAYER em 2024. "Fiz meus comentários [sobre o SLAYER ter acabado] com base no [Tom] não querer mais tocar. Para mim, tínhamos acabado e nunca mais iríamos tocar. Para ser honesto, não sei o que mudou."

"Recusamos propostas para tocar por pelo menos três anos. Então, apareceu uma que, acho, convenceu o Tom a ponto de ele querer arriscar e tentar alguns shows. Não sei, mas é só isso."

Em junho de 2024, King foi questionado por Jonathan Clarke, apresentador do "Out Of The Box" na Q104.3, rádio de rock clássico de Nova York, sobre como surgiram os shows de reunião do SLAYER. Ele respondeu: "Vou colocar numa perspectiva que todos podem entender. Recusamos propostas desde o início de 2020, pandemia e tudo mais. E então começou a se aproximar do aniversário de cinco anos desde que paramos de tocar, então pensei: 'Sabe, isso é um pacote de três shows. Acho que seria divertido fazer.' É meio que um aniversário de cinco anos da nossa última turnê. Nunca mais vamos fazer turnê — isso não vai acontecer. Nunca mais vamos gravar; isso também não vai acontecer. Mas fazer shows comemorativos, acho que é divertido. Não preciso me comprometer por muito tempo. Os fãs não precisam se preocupar com uma turnê porque dissemos que não faríamos. Não tem nada de diabólico nisso. Acho que as pessoas só precisam entender: 'São shows de celebração de aniversário.' E isso vai ser o fim."

Dias após o anúncio da reunião do SLAYER, a esposa de Tom Araya escreveu nas redes sociais que "atormentou ele por mais de um ano" antes que ele "finalmente concordasse" em fazer mais shows com a banda. "Compartilhamos essa notícia com os incríveis empresários do SLAYER e eles fizeram o resto!", explicou ela. "Então, sim, sem o Tom isso não teria acontecido... sem eu ENCHER O SACO dele, não teria acontecido."

Crédito da foto: Kevin Estrada (cortesia de Heidi Robinson-Fitzgerald / HER PR)

Créditos: Blabbermouth