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Heavy Song da Semana: F**ked Up leva o hardcore progressivo a “Good Goat Saw a Leaf”

Heavy Song of the Week é uma coluna do Heavy Consequence dedicada a destacar as melhores faixas de metal, punk e hard rock que você precisa ouvir toda sexta-feira. Nesta semana, o destaque v...

Heavy Song da Semana: F**ked Up leva o hardcore progressivo a “Good Goat Saw a Leaf”

Heavy Song of the Week é uma coluna do Heavy Consequence dedicada a destacar as melhores faixas de metal, punk e hard rock que você precisa ouvir toda sexta-feira. Nesta semana, o destaque vai para o novo single “Good Goat Saw a Leaf” da banda Fucked Up.

Nos últimos 20 anos, o Fucked Up vem construindo, de forma paciente e ambiciosa, uma série de álbuns baseados no Zodíaco, em paralelo ao seu catálogo principal. Durante muito tempo, tanto na cobertura da imprensa quanto entre fãs, esses lançamentos foram subestimados, com as atenções voltadas principalmente para discos como The Hidden World, The Chemistry of Common Life e David Come to Life. Porém, nos bastidores, a banda costurava um universo sonoro denso e polifônico, misturando elementos de rock alternativo, hardcore, prog, folk, sludge metal e, a partir de Year of the Goat, até heavy metal no estilo Iron Maiden. “Good Goat Saw a Leaf”, um dos dois singles principais do 12º e último álbum do Zodíaco, Year of the Rooster, reúne tudo isso — e mais — em uma explosão de ideias musicais condensadas em cinco minutos.

A ambição desse projeto final, que utiliza três lançamentos do Zodíaco para contar uma única história colossal de 5 horas ao longo de apenas 10 faixas épicas, costura não só todos os discos do Zodíaco, mas também grande parte do catálogo principal da banda. Isso é satisfatório de uma forma profundamente intelectual. Mas é a música em si que justifica essa escala: ideias transitam livremente entre si, com vários vocalistas alternando posições e timbres complementares, trazendo vozes de diferentes cantos do underground do rock, punk e hardcore.

O Fucked Up não é apenas o legítimo herdeiro do trono do Husker Du, mas também, possivelmente, a banda mais ambiciosa e criativa de seu universo musical. Este é o chamado final de um meta-projeto de 20 anos, e a banda entendeu o desafio, entregando seu melhor.

Menções Honrosas

200 Stab Wounds – “Pangs of Conscience”

Death metal é simplesmente incrível. Em “Pangs of Conscience”, o 200 Stab Wounds transita por diversos estilos: do death metal melódico acelerado ao death metal progressivo e abstrato, até chegar ao peso puro do hardcore. Há um trecho de thrash, riffs arquitetônicos ao estilo Death e até momentos que remetem aos clássicos do início do Sepultura. Apesar da variedade de abordagens dentro desse gênero tão perfeito, a faixa se mantém concisa, deixando melodias limpas e cantáveis no ar tempo suficiente para você absorvê-las, e evita os lados mais bizarros e místicos do estilo, tornando-se acessível até para quem está começando a explorar o death metal. E, claro, o nome da banda já diz tudo.

Haywire – “Sincerely Yours”

O Haywire captura perfeitamente a vida difícil e complexa de quem cresce no universo punk, metal e no folk alternativo que permeia o cotidiano. A música é um ótimo exemplo de rock alternativo com vocal áspero, quase hardcore, mantendo a dose certa de desordem para transmitir sinceridade. Apesar do instrumental ser um pop perfeito envolto em distorção, é a letra que realmente faz a faixa brilhar. Falo por mim, mas ela toca em um sentimento de quase-nostalgia, aquela confusão, desejo e raiva de crescer sendo diferente. Hardcore é sobre união, e o Haywire entende isso profundamente.

Mental Cruelty – “Frost”

Não é apenas a influência do black metal sinfônico em “Frost” que chama atenção, nem só os vocais carismáticos. O destaque é que a banda evita um dos grandes pecados do deathcore e metalcore: inserir trechos melódicos ou vocais limpos apenas por obrigação. Tampouco caem em letras que, no pior do gênero, soam como a petulância adolescente. O Mental Cruelty mostra o deathcore em sua melhor forma, com riffs dignos de reis pós-Immolation, uma variedade impressionante de vocais agressivos para explorar diferentes emoções e blastbeats ferozes que soam viscerais, não mecânicos. É uma prova do poder que o gênero pode ter nas mãos certas.