Peter Frampton pode ter lançado um dos álbuns mais vendidos dos anos 70, mas será o primeiro a admitir que nunca parou de tentar se aprimorar como artista.
"Sempre pensei, e acho que é verdade para a maioria das pessoas que admiro, sejam grandes músicos, grandes artistas ou o que for, que elas nunca acham que são boas o suficiente", compartilha Frampton em uma nova entrevista com Jeff Pilson e Luis Maldonado, do Foreigner, que pode ser assistida abaixo.
"Aqueles que são narcisistas e pensam, 'Não preciso mais praticar, sou incrível', geralmente não são [músicos tão bons quanto acreditam ser]", acrescenta. "Acho que as pessoas que querem melhorar são humildes porque sabem que 'ainda não estou onde deveria estar'."
"É sempre assim, sabe? Na pior noite da turnê, alguém vem e diz: 'Cara, nunca te ouvi tocar assim, foi fantástico'. E você pensa: 'Eu poderia ter sido muito melhor'. Acho que isso vem dos meus pais, sempre fui modesto sobre o que faço."
Nova Colaboração de Peter com o Foreigner
O guitarrista vencedor do Grammy pode ser ouvido em "Trouble", uma faixa inédita do box set expandido do álbum "Head Games", do Foreigner, lançado originalmente em 1979.
Essa é uma das músicas que Pilson e outros membros da banda resgataram dos arquivos e finalizaram recentemente. "Trouble" foi gravada durante as sessões originais de "Head Games" no Atlantic Studios, em Nova York, e coproduzida na época por Roy Thomas Baker.
O fundador e guitarrista original do Foreigner, Mick Jones, revelou em 2024 que vinha lidando, de forma reservada, com o diagnóstico de doença de Parkinson há alguns anos, o que o afastou das turnês com a banda.
Com Jones impossibilitado de participar das gravações de "Trouble", Frampton entrou em cena para gravar um solo de guitarra para seu amigo de longa data. Esse momento coroou uma relação que remonta aos tempos em que Jones trabalhava com o cantor francês Johnny Hallyday, no início de sua carreira.
Ouça 'Trouble', do Foreigner, com Peter Frampton
"Não acreditei quando você me convidou", disse Frampton a Pilson durante a entrevista, gravada no histórico Ryman Auditorium, em Nashville. "Foi maravilhoso."
A Lição Importante que Frampton Aprendeu com o Foreigner
Apesar de nunca ter tido a chance de excursionar de fato com o Foreigner nos anos 70, Frampton descobriu algo importante anos depois, quando finalmente dividiu o palco com os ícones do rock clássico. "Na única vez em que fizemos shows juntos, percebi que nunca quero tocar depois do Foreigner", brincou.
"Lembro de fazermos um show com vocês... e sei que vocês tocaram 'Black Hole Sun'", comentou Pilson. "Lembro de Mick e eu conversando, e ele disse: 'Cara, odeio tocar guitarra depois que o Peter toca!'"
Assista Peter Frampton Discutindo Sua Carreira com Jeff Pilson e Luis Maldonado
O Que Vem a Seguir para o Foreigner?
Tem sido um ano movimentado para a banda, que passou parte do verão em turnê com o Lynyrd Skynyrd na Double Trouble Double Vision Tour. O Foreigner segue na estrada, com uma série de shows comemorando os 50 anos do grupo.
Membros originais como Lou Gramm e Al Greenwood participarão de datas selecionadas dessa turnê de aniversário, e a banda já se prepara para um 2027 agitado. Diversos shows já estão agendados para o novo ano, incluindo uma série especial em Nova York e Nova Jersey.
"Nova York é onde o Foreigner começou, então não poderia haver lugar melhor para celebrar 50 anos da nossa música", afirmou Mick Jones em comunicado anunciando as datas comemorativas na região.
Recentemente, a banda lançou "In the Eye of the Storm", um álbum e filme ao vivo gravados na histórica Ellis Island, em Nova York, com todos os três vocalistas do Foreigner — passado e presente: Lou Gramm, Kelly Hansen e Luis Maldonado.
Assista o Foreigner Tocando 'I Want to Know What Love Is' com Lou Gramm na Ellis Island
Peter Frampton Também Teve um Ano Intenso
O integrante do Rock and Roll Hall of Fame lançou "Carry the Light", seu mais novo álbum solo, no início deste ano. O disco traz colaborações com diversos artistas, incluindo H.E.R., Tom Morello, Graham Nash, Sheryl Crow e outros.
Frampton trabalhou no álbum inteiro ao lado do filho, Julian, e como contou à UCR, "Lions at the Gate", que conta com Morello na guitarra, foi uma das primeiras músicas do processo.
"Foi a primeira faixa que gravei para este álbum, há pelo menos quatro ou cinco anos, e era só um trio", relembra. "Eu tinha esse riff, mas o escrevi em uma guitarra barítono, então era algo entre um baixo e uma guitarra — e ainda afinei mais baixo, então ficou ainda mais entre baixo e guitarra."
"E simplesmente me inspirei, porque se você liga isso em um amplificador grande, com som sujo e um pouco de distorção, aquilo soa gigantesco", compartilha. "De repente, você é o [baixista do Cream] Jack Bruce, com linhas de baixo bem distorcidas e tudo mais. Tudo isso inspirou o riff que deu início a 'Lions at the Gate'."
O parceiro de longa data, Rob Arthur, ficou responsável pelas câmeras do novo documentário "Frampton", que estreou este ano no Tribeca Film Festival, em Nova York, em junho. O filme conta com depoimentos de nomes como Bill Wyman (ex-Rolling Stones), Nancy Wilson (Heart), Sheryl Crow, Herb Alpert, Tom Morello, Cameron Crowe e muitos outros, compartilhando histórias sobre trabalhar com Frampton.
Mas, mesmo com sua vida agora registrada nas telas, Frampton não está acomodado. Como contou a Pilson e Maldonado, já pensa no próximo capítulo.
"[Julian] está voltando... e vamos passar mais duas semanas [trabalhando em músicas novas]", revelou. "Já temos seis faixas que não usamos [e] foi muito difícil escolher o que deixar de fora. Fiquei muito satisfeito com todas. Queremos escrever mais seis, sabe? Então já tenho as ideias prontas."
