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Johannes Eckerström, do AVATAR, diz que vida na estrada mudou muito nos últimos 15 anos: 'Era muito mais selvagem'

Johannes Eckerström, do AVATAR, diz que vida na estrada mudou muito nos últimos 15 anos: 'Era muito mais selvagem'

Em uma nova entrevista ao GRIMM Gent, Johannes Eckerström, vocalista dos suecos do AVATAR, foi questionado sobre como sua relação com as turnês mudou em comparação com 10 ou 15 anos atrás. Ele respondeu (conforme transcrição do BLABBERMOUTH.NET): "Bem, mudou muito. Quinze anos atrás era muito mais selvagem do que agora. Quero dizer, as pessoas ainda festejam, mas acho que o grande ponto, nos últimos anos, tem sido essa ideia de querer ter uma vida. Porque, no começo, as festas, ficar acordado até tarde, tocar o show e toda a empolgação disso era [o principal objetivo da] vida e ainda é uma grande parte dela. Mas, com relacionamentos mais comprometidos dentro da banda em comparação com uma década e meia atrás, significa que... você não pode simplesmente apertar o pause na vida em casa quando está na estrada. Então, as coisas se misturam mais. E também tem a questão de acordar em um dia de folga sem estar de ressaca o dia todo ou qualquer coisa assim, tipo, 'Onde estamos? Ok, Google. Google. Legal. Vamos ver isso.' Ou até mesmo nos dias de show. Acho que já estive na Filadélfia seis vezes no mesmo bairro e, depois de um tempo, 'Vamos olhar o mapa. E aquele sino da liberdade, com a rachadura, que eles têm na casa onde assinaram a Declaração de Independência, está lá — bem ali. Então vamos conferir.' Então, é se enriquecer de formas que não sejam apenas a música, a performance e a vida noturna. Isso ainda faz parte, especialmente a música, que é uma parte enorme, mas agora é tudo o resto também, e os amigos que você fez ao longo dos anos, manter esses relacionamentos. Então, nesses aspectos, acho que é uma abordagem mais rica e — é uma palavra meio chata nesse contexto, eu acho — mas mais madura para tudo isso... E, às vezes, você está perto de uma natureza incrível, sobe algumas montanhas e aproveita essas oportunidades."

Ao ser perguntado se ele e seus companheiros do AVATAR ainda têm momentos no palco em que algo dá errado, mas isso acaba tornando o show melhor, Johannes disse: "Sim. Acho que há elementos de caos. Se eles não aparecem sozinhos, tem algo sobre... Porque fazemos um plano das coisas que queremos fazer no palco, e então o show se desenvolve ali e o que era uma boa ideia espontânea no terceiro show vira parte do roteiro dez shows depois e tudo mais. E, em algum momento, quando você começa a ter o que parece ser um show perfeito baseado em ter feito tudo o que pretendia, no show seguinte você precisa bagunçar um pouco as coisas entre si. Então, o gremlin aparece e tenta sabotar um pouco de alguma forma. Ou acontece de fora, ou você mesmo começa a adicionar esse elemento. Mas talvez nem precise tentar tanto assim. As coisas acontecem. É algo vivo, pulsante, louco, e é um show de rock and roll."

Ele continuou: "Sempre que falo sobre cometer erros no palco ou algo assim, sempre me lembro de ver o DANKO JONES ao vivo pela primeira vez, onde ele — hoje já é padrão no show dele — [ele diz], tipo, 'Ah, eu errei. Bem, acho que isso é rock and roll, pessoal.' Porque, quando você está na plateia, quase gosta quando isso acontece, quando sente que está sendo trazido um pouco mais perto do artista ou percebe, 'Caramba, isso é real.' É um ato de equilíbrio para nós, sendo tão teatrais, porque muitas coisas precisam ser planejadas. Mas sempre faço questão de ter pequenos momentos que pertencem só a mim, ao que digo ou faço em certas partes das músicas, onde sei que posso improvisar se quiser, para manter esse elemento vivo no show."

O AVATAR lançou seu décimo álbum de estúdio, "Don't Go In The Forest", em outubro passado, pelo selo Black Waltz Records. O sucessor de "Dance Devil Dance", de 2023, foi novamente produzido por Jay Ruston, que já trabalhou com ANTHRAX, STEEL PANTHER e URIAH HEEP, entre outros. Ruston trabalhou com o AVATAR pela primeira vez quando mixou "Hail The Apocalypse", função que repetiu em "Feathers & Flesh" antes de assumir o comando como produtor em "Avatar Country" e "Hunter Gatherer".

"Dance Devil Dance" contou com a participação especial de Lzzy Hale, do HALESTORM, na faixa "Violence No Matter What". O disco também incluiu o single "The Dirt I'm Buried In", que alcançou o primeiro lugar no Mainstream Rock Airplay da Billboard.

Johannes formou o AVATAR em 2001. A formação da banda permaneceu praticamente a mesma desde então, exceto pela entrada do guitarrista Tim Öhrström, pouco mais de uma década depois. O AVATAR também conta com o guitarrista Jonas Jarlsby, o baixista Henrik Sandelin e o baterista John Alfredsson.

Eckerström contou ao Metal Symphony como o AVATAR conseguiu manter sua formação intacta por uma década e meia: "Para nós, o mais importante é a amizade. Não é só algo bonito de se dizer — é muito prático. Nosso trabalho é escrever e tocar nossa própria música; não usamos compositores externos nem fingimos no estúdio. Queremos escrever, tocar e apresentar algo que seja realmente nosso — e fazer isso de um jeito que mantenha nossa amizade. Às vezes, isso significa tomar decisões que talvez não sejam as melhores para os negócios no curto prazo, mas são melhores para a banda e nossos relacionamentos a longo prazo. Essa sempre é a prioridade. Quanto mais tempo ficamos juntos, mais oportunidades temos de crescer — pessoal e artisticamente. Esse é o segredo: queremos genuinamente ficar juntos."

Sobre quanto cada integrante do AVATAR contribuiu para a composição de "Don't Go In The Forest", Johannes disse ao Metal Symphony: "É difícil medir. Nosso produtor, Jay Ruston, costuma dizer que o AVATAR é a banda mais democrática com quem já trabalhou. Tradicionalmente, os principais compositores são Tim, Jonas e eu. Mas o processo é tão colaborativo que todos os cinco se envolvem profundamente na finalização das músicas. Pegue a faixa-título, por exemplo: ela começou como uma música escrita pelo Tim, mas não conseguimos fazer a versão completa funcionar. Anos depois, Jonas trouxe de volta um dos riffs, adicionou novo baixo e bateria, e construiu algo em cima disso. Então eu entrei para lapidar, rearranjar partes, adicionar teclados e uma linha de baixo pulsante — e todos acrescentaram algo. Cada música é diferente. Às vezes, um de nós escreve a maior parte; às vezes, é um esforço totalmente em grupo. Mas o importante é que, no final, todos sentem que a música é nossa — ela se torna nossa canção."