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PAGE HAMILTON, do HELMET, revela que está finalmente 'livre' do álcool: 'Foi uma verdadeira bênção'

PAGE HAMILTON, do HELMET, revela que está finalmente 'livre' do álcool: 'Foi uma verdadeira bênção'

Em uma nova entrevista concedida a Tom Wilson, do Sense Music Media da Austrália, o vocalista e guitarrista do HELMET, Page Hamilton, falou sobre a aguardada turnê de nove datas da banda pelo país, que começa em 16 de abril em Newcastle. Durante a conversa (transcrição do BLABBERMOUTH.NET), Hamilton revelou: "Vai ser minha primeira turnê sóbrio... Eu terminei [de beber]. Estou 'totalmente fora'. Não é uma pausa. Acabou. Eu exagerei. A pandemia realmente me desestabilizou, e acabei adquirindo hábitos muito ruins. Minha namorada me disse, há dois anos e meio, 'Não sei se consigo ficar com alguém que bebe sete dias por semana.' E eu respondi: 'Ah, eu controlo.' Ha. Então eu precisei tomar uma decisão. Liguei para um dos meus melhores amigos [Matt Flynn], o baterista do MAROON 5, ele também é o baterista do GANDHI, um músico incrível e um ser humano sensacional. Ele imediatamente disse: 'Ok, vamos. Vamos a uma reunião.' E fomos."

Page continuou: "Tem sido uma verdadeira bênção. Tenho um padrinho incrível. Ele está sóbrio há 35, 36 anos. É veterano do Vietnã. E, aparentemente, o Marilyn Manson tem medo dele. O Manson frequenta uma das nossas reuniões. Ainda não o vi. Sou amigo do Manson; Brian é o nome dele. Mas meu padrinho, parece que o rosto dele foi esculpido no Rushmore, de pedra mesmo. Ele fuma charutos e anda de Harley... Mas é simplesmente incrível. Ligo para ele todos os dias. E o vejo três vezes por semana — duas online e uma presencial."

Ele acrescentou: "Mas, sim, tem sido incrível [estar sóbrio]. Estou realmente muito feliz. Só se passaram — vou completar 90 dias na Austrália."

"Vou a reuniões todos os dias. Quando estou com minha namorada — estava em Hermosa Beach — encontrei uma reunião por lá."

Ao detalhar o quão grave se tornou seu hábito de beber, Hamilton explicou: "Sou obsessivo-compulsivo, então, quando se trata de bebida e substâncias ruins, mergulho de cabeça. Meu gerente de negócios dizia: 'Você não faz nada pela metade', inclusive o abuso de álcool. Então faço isso — preciso; é da minha natureza. E é por isso que sou bom em música, porque consigo desligar tudo e focar completamente. Mas isso é péssimo para o vício."

"Depois de conversar com meu amigo [Matt], um grande baterista, ele comentou: 'Minha esposa dizia, 'Oito a dez cervejas por dia, não é meio exagerado?'' E eu pensei: Jesus, cara. Um dia leve para mim era 15 cervejas", explicou Page. "Eu bebia de 15 a 20 cervejas por dia. E quando ia para a casa da minha namorada para uma noite de filmes, chegava lá às seis e precisava levar oito cervejas comigo para mostrar que não estava bebendo demais. Levava oito, mas já tinha tomado cinco ou algo assim, porque chega um ponto em que você nem sente mais o efeito até a décima segunda cerveja, de tão alta que fica a tolerância. Era um caos. Realmente feio. E eu achava que estava sendo produtivo, porque ficava aqui — este é meu estúdio — tocando guitarra. Mas levantava para pegar cerveja a cada 15 minutos. E assim não se produz nada. Agora estou tendo uma clareza muito legal. Acordar sem ressaca é a melhor coisa. Hoje acordei às seis da manhã. Levantei da cama às 6h15. Antes, ia dormir às quatro ou cinco, completamente bêbado. Era terrível. Agora está muito bom. Tive um dia realmente produtivo e positivo."

Nascido no início dos anos 1990, época marcada pela fúria, o HELMET mantém viva a energia vital dos riffs hostis e do groove metronômico inventivo, conquistando fãs de várias gerações do rock alternativo.

Formada em Nova York por Hamilton, a banda redefiniu a música pesada, influenciando nomes como DEFTONES, KORN, PANTERA e, mais tarde, MASTODON, todos impactados pelo poder dos riffs brutais do HELMET.

O álbum "Meantime", lançado em 1992, tornou-se um marco, conquistando disco de ouro e consolidando o grupo como pioneiro da cena pesada. Do experimental "Betty" (1994), que teve a versão alternativa de "Milktoast" incluída no cultuado filme "O Corvo", passando por "Aftertaste" (1997), até o retorno com "Size Matters" (2004) e uma sequência de lançamentos sem concessões, como "Dead To The World" (2016) e "Left" (2023), o HELMET segue sendo uma força crítica no cenário musical.

Crédito da imagem: Wacken TV