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Paul McCartney diz que chefe do Rock Hall quebrou promessa de sua indução
Paul McCartney foi incluído no Rock & Roll Hall of Fame como artista solo em 1999. No entanto, uma entrevista inédita de 2015 revela que ele não ficou satisfeito com a demora para receber essa homenagem.
O jornalista Joe Hagan conversou com o lendário Beatle por mais de uma hora em março de 2015, enquanto pesquisava para o livro "Sticky Fingers: The Life and Times of Jann Wenner and Rolling Stone Magazine", lançado no final de 2017. Como Hagan detalha na introdução da entrevista, publicada recentemente pela Vanity Fair, apenas uma pequena parte da conversa foi incluída no livro.
Embora os Beatles tenham sido incluídos no Rock Hall em 1988 e McCartney tenha sido presença constante nas cerimônias nos primeiros anos (e, mais recentemente, também participou da indução de Ringo Starr em 2015 e fez o discurso em 2021 para o Foo Fighters), ele conta que ficou surpreso ao receber uma ligação de Jann Wenner, que queria que ele fizesse o discurso de indução de seu antigo companheiro de banda e amigo, John Lennon.
Inicialmente, McCartney aceitou o convite, mas depois reconsiderou, percebendo que ele mesmo não seria incluído na turma de 1994 por sua carreira solo.
"Eu liguei de volta e disse: 'Espere um minuto. E eu? Talvez eu faça o John, e então talvez eu devesse entrar também', relembrou McCartney na entrevista. "E foi tipo, 'Ah não, não podemos fazer isso.' Em todas as minhas interações com ele, nunca é decisão do Jann. É dessas outras pessoas no corredor, em algum lugar. Ele tem 'proprietário-editor' na porta, mas são eles que decidem as coisas?"
O que Wenner prometeu, em vez disso, foi que McCartney teria seu próprio momento e seria incluído em 1995. "Eu disse, 'Ok.' E aceitei o acordo. No ano seguinte, nada aconteceu", continuou. "Então foi tipo, 'Você pode ligar para o Jann? O que está acontecendo? Não parece que estou na lista.' Filhos da p..."
Embora Wenner tenha dito que não se lembra de ter feito esse acordo com McCartney, isso foi apenas mais um fio em uma teia complicada envolvendo o editor, que McCartney sempre percebeu como mais próximo de Lennon.
"A questão sobre John Lennon e McCartney é que sempre fomos iguais. Mas, claro, depois que John foi assassinado, ele virou mártir — tipo Buddy Holly, James Dean — por causa da atrocidade", explicou. "Então começou um revisionismo. E Yoko [Ono] certamente ajudou nisso. Jann foi uma grande parte disso. Isso naturalmente influenciou meu pensamento."
"Nada disso me fez gostar mais dele. E sempre era, 'Não sou eu.'", acrescentou. "Eventualmente, consegui entrar, e minha filha Stella usou uma camiseta [que dizia], 'Já era hora, p...!'"
Nos últimos anos, Wenner teve papel reduzido no Hall e foi rapidamente removido do conselho da organização em 2023, após comentários polêmicos sobre artistas mulheres e negros virem à tona.
O compositor segue envolvido em diversos projetos, incluindo, mais recentemente, "Man on the Run", documentário dirigido por Morgan Neville. O filme foca na carreira de McCartney pós-Beatles nos anos 70, especialmente na criação de sua nova banda, Wings, e na evolução do grupo e de sua trajetória musical contínua.
Após uma extensa turnê entre 2022 e 2025 com a "Got Back Tour", McCartney parece estar tirando um merecido descanso das estradas este ano (até agora). Mas os fãs podem se entreter com o documentário, que chegou recentemente ao Amazon Prime.
Há também muito para ler e ouvir, como "Wings: The Story of a Band on the Run", seu livro sobre o tempo com o grupo — e "Wings", a primeira antologia da banda. Ambos foram lançados no início de novembro do ano passado.
