O renomado baixista de rock Rudy Sarzo lançou ontem, 24 de junho, seu novo single solo "Your Heart Is The Road". A data marcou também a celebração dos 42 anos de casamento com sua esposa Rebecca, tornando o lançamento ainda mais especial para o músico.
Em uma entrevista recente ao Ernest Skinner, do Border City Rock Talk, Sarzo fez uma confissão sincera: utilizou software de inteligência artificial para ajudar na produção da faixa. O motivo, segundo ele, é bastante compreensível.
"Eu assumo isso. Existem até bandas que tocam ao vivo com trilhas e não contam para o público, não dizem 'Ei, estamos usando trilhas, ok pessoal?'. Eles não fazem isso, mas eu assumo. Digo: 'Sim, usei inteligência artificial. Eu não tenho orçamento. Quem tem orçamento? Não tenho dinheiro para voltar pra casa, gastar 10 mil dólares e investir tudo em estúdio só para músicas que serão lançadas de forma independente em todos os serviços de streaming'", explicou Sarzo, conforme transcrição do Blabbermouth.
O baixista optou por lançar o single de forma independente, sem o apoio de uma gravadora tradicional. Segundo ele, essa escolha foi motivada pela liberdade que isso proporciona, já que não precisa se preocupar com cronogramas de lançamento impostos por selos ou outras limitações corporativas.
"Já escrevi cerca de 10 músicas que estão prontas para serem lançadas em intervalos, mas não quero ser rotulado, colocado em uma caixa. O que você ouvir na primeira música, não espere que a próxima seja igual, porque não será", afirmou Sarzo.
Ele detalhou ainda como, após tocar com bandas como Quiet Riot, Whitesnake e Ozzy Osbourne, não deseja mais repetir o mesmo repertório indefinidamente — agora, sente-se livre para compor, gravar e tocar suas músicas como e quando quiser.
"Estou fazendo isso por alguns motivos — um deles é que queria tocar músicas que não venho tocando nos últimos quase 50 anos", disse Sarzo. "Vai fazer 50 anos desde que toquei 'Slick Black Cadillac' com o Quiet Riot pela primeira vez. Entrei na banda em 1978, e essa música já estava no setlist. 50 anos. Me dá um tempo. Preciso de um pouco mais de criatividade na minha vida. E também não quero ficar preso a uma caixa específica."
Sarzo citou como bandas como The Beatles e The Rolling Stones tinham liberdade, nos anos 60, para experimentar qualquer estilo musical, e que essa criatividade só é possível para ele agora, trabalhando de forma totalmente independente.
"Nos anos 60, bandas como The Beatles ou The [Rolling] Stones podiam fazer qualquer coisa, qualquer estilo de música. Podiam lançar 'Angie', 'Sympathy For The Devil' ou '2000 Light Years [From Home]', o que fosse. Todo mundo estava tentando coisas novas, sendo criativo", comentou Sarzo. "A criatividade, para mim, começou a decair nos anos 80, porque, basicamente, se você tinha um disco de sucesso — que era a única forma de gravar um segundo disco —, porque chegou ao ponto em que vender... Nos anos 70, era padrão: se você vendesse 50 mil cópias do seu disco, ganhava a chance de gravar outro."
"Quando a MTV surgiu e todo mundo começou a vender milhões logo no álbum de estreia, as gravadoras ficaram mal-acostumadas e passaram a dizer: 'Quando você parar de vender essa quantidade de discos, vamos te dispensar porque temos outras bandas na fila prontas para vender milhões'. Então, basicamente, era sobre repetir o mesmo disco várias vezes até que a própria indústria dissesse: 'Precisamos de algo novo'. Ah, é? Claro que precisam de algo novo, mas vocês sempre pediram para entregarmos o mesmo disco repetidas vezes."
Ele continuou: "Não quero ficar preso a nenhuma gravadora dizendo: 'Você precisa agradar esse público. Tem que vender essa quantidade de unidades.' Não, só quero tocar com a diversidade com que cresci. Em qualquer noite, num clube, eu tocava disco, um pouco de Led Zeppelin, um pouco de The Who, o que estivesse tocando no rádio. Tocava Top 40, que era o que cresci ouvindo, e o Top 40 era incrivelmente diverso no final dos anos 60 e início dos 70. Eram todos esses estilos diferentes, e eu adorava isso. Eu curtia."
"Hoje chamam de 'yacht rock', que basicamente são os melhores discos dos anos 70... Mas são alguns dos álbuns mais bem produzidos, escritos e engenheirados. Você coloca um desses discos e ouve cada instrumento e vocal com clareza cristalina, e eu amo isso. Depois, nos anos 80, o maior culpado foi o [Yamaha] SPX90 [lendário processador digital de efeitos lançado em 1985], que virou o som das bandas de hair metal. Porque, digamos, você tinha um álbum de estreia, mas a gravadora queria que você soasse como um headliner de arena. Então, colocavam muito reverb."
Sarzo ainda não revelou quando as próximas músicas serão lançadas. Por enquanto, segue ocupado em turnê com o Quiet Riot, banda à qual retornou em 2021.
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