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TOM MORELLO sobre co-dirigir documentário oficial do JUDAS PRIEST: 'Amo a banda e queria ajudar a contar sua história'
Em uma nova entrevista à rádio chilena Sonar FM, o guitarrista do Rage Against The Machine, Tom Morello, falou sobre sua estreia como diretor em "The Ballad Of Judas Priest", documentário que retrata a jornada épica do Judas Priest, lendária banda inglesa de heavy metal vencedora do Grammy, rumo ao topo do rock mundial. Morello declarou (conforme transcrição do BLABBERMOUTH.NET): "Uma das coisas que mais amo no Judas Priest — além do trabalho de guitarra fantástico, que já é esperado — é que eles foram a primeira banda de metal que, diferente da maioria que dizia 'me adorem, sou um deus no palco', traziam a ideia de 'somos uma comunidade do metal juntos'. Isso ressoou muito comigo. Me fez sentir que eu não estava ali só para idolatrar alguém, mas sim que ele é metal, eu sou metal, nós somos metal. E o heavy metal foi o gênero que me fez amar música; eu não estaria aqui hoje sem ele."
Sobre o motivo de se envolver na produção de "The Ballad Of Judas Priest", Morello explicou: "Faço isso por amor. Faço por paixão. Amo o Judas Priest e queria ajudar a contar a história deles."
"The Ballad Of Judas Priest" teve sua estreia mundial no 76º Festival Internacional de Cinema de Berlim (Berlinale), em fevereiro. Co-dirigido pelo cineasta Sam Dunn e por Morello, o documentário celebra o impacto duradouro do Judas Priest na música e na cultura, mostrando como sua influência vai muito além do metal.
Durante a coletiva de imprensa da estreia mundial na Berlinale, em 15 de fevereiro, um jornalista de uma rádio espanhola questionou Morello sobre o conteúdo político do filme. Morello respondeu: "Que época para se estar vivo, em que você pode tanto fazer um documentário sobre uma de suas bandas favoritas quanto lutar contra o fascismo ao mesmo tempo. Embora o conteúdo lírico — talvez 'Breaking The Law' e algumas outras músicas — seja explicitamente político no Judas Priest, a existência da banda já é política. Quando assisti ao Judas Priest nos últimos anos em Los Angeles, o público era composto por mais de 50% de latinos. Havia muitos casais gays — nada a ver com o estereótipo... E sim, também havia alguns caras mais velhos como eu, de jaqueta de couro, levando seus filhos ao show, mas aquela comunidade, a unidade e a harmonia que existem em um show do Judas Priest são, de certa forma, um modelo de como todos nós poderíamos agir melhor."
O vocalista Rob Halford se juntou a Morello e Dunn na coletiva e destacou que não evita temas políticos em sua música. "É impossível para mim, como letrista, não enxergar coisas no mundo que me afetam, que me deixam irritado e me fazem pensar: será que consigo colocar isso em uma música? Tenho feito isso desde sempre, seja com 'Raw Deal', do 'Sin After Sin', que é uma música explicitamente gay, sobre ir para Fire Island e tentar se conectar com alguém, e a liberdade que isso te dá como pessoa para estar com os seus, até uma música como 'Savage', que fala sobre mudanças climáticas — de que álbum era 'Savage'? 'Stained Class'? Isso já faz tempo. No último álbum ['Invincible Shield', de 2024], falo sobre — não vou dizer o nome, mas falo sobre aquela pessoa, e é meio velado, mas se você prestar atenção, a mensagem está lá, a expressão, o sentimento estão lá. É uma corda bamba difícil de andar porque só quero que as pessoas se divirtam."
Halford — que se tornou o primeiro ícone do heavy metal a se assumir gay em 1998, durante uma entrevista à MTV, apesar de saber de sua sexualidade desde os 10 anos — continuou: "O Rage Against The Machine proporciona ótimos momentos ao público. Quando você vê todo mundo pulando, estão em êxtase, mas a mensagem não se perde. Ela provavelmente se torna mais relevante quando estão sozinhos em casa, deitados na cama ou tomando um café e ouvindo a música. É uma experiência diferente de como a mensagem pode te alcançar. Preciso me controlar, porque, à medida que envelheci, fiquei mais irritado com o mundo. Fiquei mais revoltado com as injustiças, especialmente com meu próprio povo, que ainda sofre e não tem os direitos humanos que merece. Não estou falando da Alemanha — falo da Arábia Saudita, Irã, outros lugares onde pessoas como eu são usadas e abusadas de formas horríveis. Tento evitar mensagens explícitas, mas elas estão lá. Isso me conforta, pois não estou me traindo conscientemente em temas que significam muito para mim e me deixam indignado."
Dunn também comentou: "Para mim, ao entrar no filme, havia quatro ou cinco momentos principais que eu sabia que precisávamos abordar na história da banda. Um deles era a música 'Breaking The Law' e o vídeo brilhante e divertido dessa faixa. Isso remete ao nosso primeiro filme, pois estamos há mais de duas décadas tentando desconstruir estereótipos sobre o heavy metal. Ainda persiste o estereótipo de que o metal é só sexo, drogas e hedonismo. Então, uma música como 'Breaking The Law' foi fundamental para mostrar que o Judas Priest, em 1980, tinha algo importante e atual a dizer sobre a vida da classe trabalhadora na Inglaterra daquela época. E quando fiz a última entrevista com Rob e ele disse: 'É uma música de revolução' — obrigado por essa frase — foi um ponto crucial na narrativa para mim."
Saindo de origens humildes e operárias em Birmingham, Reino Unido, para se tornarem lendas globais do rock, o Judas Priest não apenas ajudou a moldar a cultura do heavy metal — eles a forjaram. Amplamente reconhecidos como pioneiros do gênero nos anos 1970, o Judas Priest já vendeu mais de 50 milhões de discos e lançou 19 álbuns de estúdio para uma legião de fãs dedicados ao redor do mundo. Em 2022, foram incluídos no Rock And Roll Hall Of Fame. Com o álbum "Invincible Shield", de 2024, a banda se tornou o primeiro ato de heavy metal a lançar álbuns de estúdio com 50 anos de diferença. O disco recebeu aclamação da crítica e foi indicado ao Grammy de "Melhor Performance de Metal".
O documentário é uma produção da Banger Films, dirigido por Sam Dunn e Tom Morello. Os produtores incluem Scot McFadyen e Sam Dunn. A produção executiva é de Tom Morello, Rick Krim, Sheila Stepanek e Jayne Andrews. Tom Mackay, Krista Wegener e Abby Davis atuam como produtores executivos pela Sony Music Vision. Sylvia Rhone é produtora executiva pela Epic Records. O filme é apresentado e distribuído pela Sony Music Vision.
A formação atual do Judas Priest conta com o vocalista Rob Halford, o baixista Ian Hill, os guitarristas Richie Faulkner e Andy Sneap, e o baterista Scott Travis. O guitarrista Glenn Tipton foi diagnosticado com doença de Parkinson há mais de 15 anos, mas anunciou no início de 2018 que se afastaria das turnês em apoio ao álbum "Firepower". Ele foi substituído por Andy Sneap, produtor de "Firepower" e "Invincible Shield", também conhecido por seu trabalho com os revivalistas do NWOBHM, Hell, e com a banda cult de thrash Sabbat.
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