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ENTREVISTA: Everlast fala sobre seu primeiro álbum em oito anos
"Eu não lanço discos só por lançar um produto, não lanço só porque chegou a hora."
Na sexta-feira (13 de março), Everlast participou do Loudwire Nights para celebrar o lançamento de sua nova música "Stones", do seu próximo álbum — seu primeiro disco em oito anos — Embers to Ashes.
Ouça a conversa completa no player perto do final deste artigo.
"Eu simplesmente fico esperando algumas músicas começarem a pipocar na minha cabeça e, geralmente, esse é o sinal de que eu já tenho trauma suficiente ou algo assim para escrever música", ele contou a Chuck Armstrong, do Loudwire Nights, sobre o novo álbum.
Ao dizer isso, ele reiterou que não estava procurando escrever um novo álbum. Mas, uma vez que começou, acabou escrevendo mais do que esperava. Embers to Ashes traz 17 músicas inéditas de Everlast, a maioria delas co-escritas, algo novo para ele.
"Os dois principais caras com quem escrevi [foram] um cara chamado Chief e um cara chamado D-Ray", disse ele.
"[Eles] agora são grandes amigos. A gente escreve um monte de músicas; não sei se todas são para mim, mas, sabe, estou em um espaço diferente nesse sentido. Neste momento, estou aqui apenas escrevendo música."
Como Everlast Acabou Trabalhando com Yelawolf no Novo Álbum
Além dos co-escritores, Everlast trabalhou de perto com um cara que já era amigo há um tempo e que acabou produzindo Embers to Ashes, Yelawolf.
A participação de Yelawolf como produtor remonta a 2015, quando Everlast decidiu ficar em Berlim para assistir ao show dele, em vez de ir a Paris ver o Eagles of Death Metal no teatro Bataclan, um show que acabou tragicamente ligado a um ataque em toda a cidade que resultou em 89 pessoas mortas no local do concerto.
"Era para eu estar lá", lembrou Everlast.
"O técnico de som do Eagles of Death Metal era meu antigo tour manager. Ele estava na mesa de som quando aquilo aconteceu. Graças a Deus ele sobreviveu. Eu ia naquele show porque meus amigos do Deftones estavam na cidade, eles estavam lá naquela noite. Todo mundo estava de boa. Aí todo mundo começou a surtar."
Felizmente para Everlast, ele tomou a decisão de última hora de ficar com Yelawolf em Berlim.
"Essa foi a semente, foi a primeira noite em que conversamos sobre eu e ele fazermos um disco", disse ele. Ao relembrar aquela noite, não conseguiu deixar de comentar como foi louco o fato de ele ter planejado estar no show do Eagles of Death Metal.
"É tipo um daqueles momentos, [como] os caras que não pegaram os aviões no [11 de setembro]", disse ele.
"Eu meio que me sinto assim. Se eu não tivesse ficado, quem sabe? Quem sabe o que teria acontecido? Provavelmente eu estaria bem na frente da mesa de som do show, sentado na área de som com meu amigo. Se eu te contasse a história dele, seria insano. Colocando dessa forma, ele se escondeu debaixo de corpos por umas quatro ou cinco horas até que entraram lá para avisar que estava tudo limpo."
Política, Música e Everlast
Embora muitos assuntos tenham sido abordados durante a conversa, Everlast ficou mais animado quando ouviu sobre um comentário recente de Gene Simmons.
Em uma entrevista recente, Simmons falou sobre artistas se manifestarem sobre política, dizendo: "Está na hora de todo mundo na indústria do entretenimento simplesmente calar a boca. Faça sua arte. Ninguém liga para o que você pensa. Eu não ligo."
Assim que ouviu isso, Everlast teve algumas palavras fortes para esse tipo de pensamento.
"Como você ousa — música [e] arte é política", disse Everlast.
"Recebo comentários o tempo todo, 'Fique só nisso.' Sabe, fique você calado, porra. Eu não dou a mínima para o que qualquer um diz, sinceramente. Faço o que faço porque me faz feliz. E para eu poder dormir à noite. 'What It's Like' não era uma música política? Vai se foder. Vocês são idiotas, as pessoas que falam assim."
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Tendo sido próximo de Ice-T e parte do Rhyme Syndicate, Everlast nunca se preocupou em deixar questões políticas ou sociais fazerem parte de sua música.
"Quando eu cheguei, [Ice-T] fez Freedom of Speech...Just Watch What You Say", disse ele.
"É um comentário idiota. É um comentário que vem de um homem com medo de perder seu dinheiro. Eu nunca tive medo de perder meu dinheiro, cara. Podem tirar todo o meu dinheiro. Já tiraram de mim. Já perdi tudo. Já recuperei tudo. Vou dar um jeito. Não tenho medo. Não preciso vender caixões e toda porcaria barata de merchandising do planeta para garantir meu dinheiro. Meu dinheiro vem da minha arte e só da minha arte."
O Que Mais Everlast Falou no Loudwire Nights?
Seus pensamentos sobre um poder superior: "Definitivamente me sinto protegido, cara. Desde que me lembro, antes mesmo do meu problema no coração, sempre teve algo que me fazia sentir que tudo ia ficar bem, sabe? Quanto à religião e tudo isso, acho que cada um tem sua relação pessoal com Deus — acreditar em Deus ou não."
Dois mantras que o movem hoje: "As duas coisas que mais aprendi ou que mais me ajudaram nos últimos anos e que realmente fizeram sentido — e espero que faça para quem ouvir isso — são 'o agora é inevitável' e 'isso também vai passar.' Dá para aplicar isso a qualquer coisa. Boa ou ruim."
A importância da participação de Yelawolf em Embers to Ashes: "Quero muito que as pessoas entendam, quando ouvirem o disco, que o Wolf vai ser um produtor a ser respeitado algum dia, se não muito em breve. Sou fã dele como artista e somos amigos há bastante tempo, mas eu realmente não conhecia a profundidade do conhecimento dele sobre som e o que fazer com isso."
Everlast participou do Loudwire Nights na sexta-feira, 13 de março; o programa reprisa online aqui, e você pode ouvir ao vivo toda noite de segunda a sexta às 20h (horário de Brasília) ou no app da Loudwire; você também pode ver se o programa está disponível na sua rádio local e ouvir entrevistas sob demanda.
