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JESSE HUGHES, do EAGLES OF DEATH METAL, nega ser apoiador de DONALD TRUMP: 'Isso simplesmente não é verdade'

JESSE HUGHES, do EAGLES OF DEATH METAL, nega ser apoiador de DONALD TRUMP: 'Isso simplesmente não é verdade'

Em uma nova entrevista ao podcast The Bad Decisions, apresentado por Scott Michael Nathan, Jesse Hughes, vocalista do Eagles of Death Metal, abordou alguns dos comentários polêmicos que fez nos meses seguintes ao ataque de extremistas do Estado Islâmico ao show de sua banda na França, em novembro de 2015, que resultou em 90 mortes.

Questionado por Scott sobre o que as pessoas mais interpretam errado sobre como ele processou os acontecimentos daquela noite, Jesse respondeu (conforme transcrição do BLABBERMOUTH.NET): "Bem, elas não estavam lá. Isso é uma coisa. Mas também é preciso considerar que eu estava traumatizado. Fui profundamente traumatizado e estava muito, muito protetor com todos que estiveram lá. Então, não diria que não acredito nas coisas que disse na época, mas definitivamente diria que hoje provavelmente não as diria, porque simplesmente não é necessário."

"A verdade é que sempre me vi como um roqueiro", continuou. "Não me importo em quem você vota — deixe sua política na porta, e todos podem vir aqui, se divertir e curtir. Por algum motivo, as circunstâncias da minha vida fizeram com que, por um momento, eu não tivesse mais esse luxo."

"Deixe-me colocar desta forma: a quantidade de pessoas que apareceu do nada para me manipular e usar minha tragédia em benefício próprio foi interminável, e isso me enojou dos dois lados do espectro político", acrescentou Jesse.

Hughes, que defende o direito ao porte de armas, causou polêmica na França após os ataques ao sugerir que seguranças muçulmanos estavam envolvidos e que muçulmanos comemoravam do lado de fora do local — alegações semelhantes às feitas por Donald Trump, que afirmou, mais de uma década atrás, que no dia dos ataques de 11 de setembro de 2001 houve grandes comemorações públicas de milhares de muçulmanos em Nova Jersey enquanto assistiam ao colapso das torres gêmeas. Jesse depois se desculpou por seus comentários, dizendo que estava sofrendo com pesadelos e problemas de saúde mental.

"Às vezes as pessoas dizem que sou apoiador do Trump. Isso simplesmente não é verdade", disse Hughes ao The Bad Decisions Podcast. "Nunca, jamais, em nenhum momento na imprensa, endossei ou disse que apoio o homem. Apenas disse coisas que podem ser consideradas controversas e que talvez possam ser atribuídas a um lado ou outro. Mas tenho uma perspectiva diferente. E ainda acredito nas coisas em que acredito, mas consegui voltar a um lugar onde — deixe sua política na porta."

Jesse acrescentou: "Elvis [Presley] disse melhor. Sou um artista e não é da conta de ninguém em quem voto, porque não estou aqui para dizer em quem você deve votar."

Após Scott Michael Nathan comentar que é pessoalmente a favor do porte de armas e que não tem problemas com o casamento gay, Hughes respondeu: "Cara, nosso primeiro álbum é literalmente a bandeira transgênero. Acho que ninguém percebe isso. Cresci em Palm Springs. Ninguém apoia mais a comunidade gay do que eu, cara. Mas quando todo mundo está exaltado, com raiva e ocupado demais odiando, é difícil enxergar as nuances."

Em março de 2016, Hughes pediu desculpas à equipe e aos seguranças do Bataclan por sugerir que eles poderiam saber ou até estar envolvidos no ataque terrorista durante o show da banda no local. O pedido de desculpas veio após Hughes dar uma entrevista à Fox Business, na qual afirmou que seis seguranças não compareceram ao trabalho na noite dos ataques e que outros agiram de forma estranha. "Por respeito à polícia, que ainda está investigando, não vou fazer uma declaração definitiva, mas digo que parece bastante óbvio que eles tinham um motivo para não aparecer", disse Hughes.

Como resultado dos comentários de Hughes à Fox Business, ele foi proibido de comparecer ao show de reabertura do Bataclan no outono de 2016.

Os ataques em Paris levaram a uma resposta militar da França contra a organização radical islâmica ISIS, com jatos franceses bombardeando uma série de alvos na Síria.

Os atentados aumentaram a preocupação mundial com o ISIS, além de gerar um debate nos Estados Unidos sobre a aceitação de refugiados sírios.

O EAGLES OF DEATH METAL foi fundado em 1998 por Josh Homme, líder do QUEENS OF THE STONE AGE, e seu amigo de longa data Hughes. Homme participa dos álbuns da banda, mas só toca ao vivo com eles ocasionalmente.